Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Mercado compra cautela antes do feriado e em dia de dados negativos; Bolsa cai e dólar sobe

Economia está na defensiva, após dados fracos de serviços e varejo, com a percepção de que a inflação ainda está alta e o mercado de trabalho apenas em recuperação gradual

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2021 | 16h25
Atualizado 12 de novembro de 2021 | 18h51

Após o tombo de 1,74% na quinta, o dólar à vista se recuperou no pregão desta sexta-feira, 12, amparado por três pilares: ajustes técnicos, com remontagem de posições defensivas, cautela pré-feriado de 15 de novembro e ambiente externo não tão favorável a divisas emergentes, a despeito do fortalecimento do peso mexicano, o principal par do real. 

Afora uma leve oscilação nos primeiros minutos de negócios, quando chegou a romper o piso de R$ 5,40 e marcou a mínima do dia a R$ 5,3947, o dólar trabalhou sempre com sinal positivo. No período da tarde, a moeda americana acelerou os ganhos e chegou a ser negociada no patamar de R$ 5,46, registrando máxima a R$ 5,4689. No fim da sessão, o dólar era cotado a 5,4569, em alta de 0,98%. Apesar da valorização neste dia, a moeda americana encerra a semana em queda de 1,19% e já acumula perda 3,35% em novembro, após ganhos de 3,67% em outubro.

Segundo analistas, a aprovação da PEC dos precatórios na Câmara dos Deputados minimizou, por ora, o fantasma de descontrole das contas públicas, com eventual extensão do auxílio emergencial, e abriu espaço para realinhamento dos preços dos ativos domésticos. As incertezas quando a tramitação da PEC no Senado e os dados fracos da economia brasileira ainda mantém, contudo, uma parcela dos investidores na defensiva.

Bolsa 

O Ibovespa se descolou dos pares em Nova York e cedeu 1,17%, aos 106.334,54 pontos. Isso não impediu a Bolsa de emendar a segunda semana consecutiva de ganhos, desta vez de 1,44%, algo que não acontecia desde maio. O giro financeiro ficou em R$ 31,8 bilhões na sessão, em que prevaleceu a cautela típica de véspera de feriados brasileiros com mercados abertos lá fora, como na próxima segunda-feira, 15. 

Em meio à longa correção iniciada em julho e que se estendeu ao menos até o fim de outubro, o Ibovespa, muito descontado, obteve hoje o segundo ganho semanal consecutivo, algo não visto desde a segunda quinzena de maio, período em que, ainda em ascensão, emendou três semanas no positivo. Nesta semana, o principal índice avançou 1,44%, após alta de 1,28% no período anterior.

Em novembro, a recuperação é de apenas 2,74% nesta primeira quinzena, com perdas no ano de 10,66%. 

Uma série de resultados trimestrais divulgados na noite de quinta, especialmente de empresas do setor de varejo, contribuiu para orientar os negócios nesta última sessão da semana, com Magazine Luiza (-18,32%) e Natura (-17,54%) na ponta negativa do Ibovespa, após os respectivos balanços. Na face oposta do Ibovespa, Americanas ON (+5,83%) e Lojas Americanas (+5,61%), ambas também movidas pelos números trimestrais, à frente de Carrefour Brasil (+3,15%) e BR Malls (+3,14%), outra empresa a ter anunciado resultados do terceiro trimestre na noite de quinta. 

No macro, assim como as vendas do varejo em setembro, divulgadas na quinta pelo IBGE, o desempenho da atividade de serviços no mesmo mês, anunciado nesta sexta, corrobora a percepção de que inflação e juros em alta, e mercado de trabalho em recuperação apenas gradual, com desemprego ainda elevado, mantêm a economia doméstica na defensiva, em meio a constantes revisões de expectativa de crescimento do PIB no ano que vem. O setor de serviços ainda operava em setembro 8% abaixo do ponto mais alto, registrado em novembro de 2014.

No mês, o recuo de 0,6% no volume de serviços prestados na passagem de agosto para setembro fez o setor interromper sequência de cinco meses de crescimento, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2011 pelo IBGE.

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