Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Bolsa de Nova York recua 2,5% e afeta desempenho do Ibovespa; dólar cai

Bolsa americana despencou nesta quinta, após diretora do Federal Reserve avisar que inflação dos EUA pode seguir elevada nos próximos dois trimestres

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 14h25
Atualizado 13 de janeiro de 2022 | 19h03

A Bolsa brasileira (B3) até tentou uma recuperação nesta quinta-feira, 13, após os resultados positivos dos pregões anteriores, mas o mau humor do mercado americano, após uma diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), reforçar que a inflação deverá seguir alta nos próximos trimestres. Hoje, o Ibovespa cedeu 0,15%, aos 105.529,50 pontos, enquanto Nova York recuou 2,5%. No câmbio, o dólar caiu 0,10%, a R$ 5,5295 - menor valor de fechamento desde 17 de novembro.

Dos três principais índices do mercado americano, o Dow Jones teve o 'melhor' resultado, com queda de 0,48%. Na outra ponta, o S&P 500 teve um tombo de 1,42%, e o Nasdaq, 2,51%. Diante do mau humor, o Ibovespa até tentou se manter no positivo, mas não conseguiu. No melhor momento do dia, foi aos 106,2 mil pontos - melhor resultado intradia desde 20 de dezembro. Na semana, o índice avança 2,74% - no ano, o ganho ficou hoje em 0,67%.

"Os investidores continuam a digerir a inflação nos Estados Unidos, de 7% em 2021, maior nível desde 1982. Há sinais de escassez de mão de obra no momento, com afastamentos por conta da variante Ômicron, o que tem resultado em ajustes na oferta de serviços, como o transporte aéreo, varejo e educação", diz Túlio Nunes, especialista de finanças da Toro Investimentos.

Pela manhã, os dados de inflação ao produtor nos EUA em dezembro vieram abaixo do esperado, enquanto os pedidos iniciais de auxílio-desemprego avançaram a 230 mil, e superaram a expectativa para a semana, de 200 mil, observa em nota a Terra Investimentos. A alta do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) foi de 0,2% em dezembro ante novembro, abaixo da previsão de consenso, de 0,4%.

Lael Brainard, diretora do Fed, disse que a inflação deve seguir alta nos primeiros dois trimestres deste ano, conforme projeções, que devem ser lidadas com cuidado. "Traremos a inflação para baixo o mais rápido que pudermos, mas levando em conta o crescimento da economia", afirmou. Ela pontuou que o Fed já decidiu encerrar o programa emergencial de compra de ativos em março e que haverá "diversas altas" de juros neste ano.

"O ânimo na terça e na quarta ajudou o Ibovespa: a inflação nos EUA veio no maior nível em décadas, mas sem surpresa, de forma geral em linha com as expectativas e também com o que Jerome Powell (presidente do Federal Reserve) vinha sinalizando para a política monetária, o que traz mais segurança para o mercado", diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

No cenário doméstico, não chegou a pesar tanto sobre a confiança dos investidores o grau maior de poder atribuído pelo presidente Jair Bolsonaro à Casa Civil face ao Ministério da Economia na execução do Orçamento - interpretada, por observadores políticos, como mais um passo de aproximação ao Centrão e de atendimento a demandas parlamentares em ano eleitoral. Na prática, Bolsonaro "divide o poder de execução orçamentária entre Paulo Guedes e Ciro Nogueira", resume a Terra Investimentos

Mesmo com ajuste negativo nos preços da commodity após recente recuperação, Petrobras ON e PN subiram 2,42% e 2,02% cada, enquanto entre os bancos, Santander subiu 2,94% e Itaú, 1,85%. Na ponta do Ibovespa, Marfrig subiu 5,18% e PetroRio, 3,09%. Na contramão, Vale caiu 1,52%.

Câmbio

O dólar à vista terminou a sessão desta quinta emendando uma sequência de três pregões seguidos de queda, no qual acumulou

desvalorização de 2,55%. O pano de fundo para esse alívio visto nos últimos dias seria a acomodação do mercado às expectativas de normalização da política monetária dos EUA pelo Fed, a começar com a elevação dos juros já neste ano. Também pesa a favor da moeda brasileira a escalada recente da taxa Selic, que torna mais custoso o carreamento de posições especulativas em dólar.

Na primeira hora de negócios, a moeda até esboçou uma recuperação, alcançando máxima aos R$ 5,5564, mas logo perdeu fôlego, em sintonia com a baixa do índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente à cesta de seis divisas fortes -, na esteira de dados da economia americana que chancelam uma postura não tão incisiva por parte do Fed. Na mínima do dia, por aqui, bateu em R$ 5,5013.

Em relação às divisas emergentes e de exportadores de commodities, a moeda americana teve um comportamento misto, embora tenha apresentado queda firme frente a pares do real, como os pesos mexicano e chileno. O dólar subiu mais de 2% em relação à lira turca e ao rublo - esse prejudicado pelo agravamento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Rússia, que ameaça invadir a Ucrânia.

Para o operador Hideaki Iha, da Fair Corretora, um dólar na casa de R$ 5,50 não é sustentável, dados os problemas fiscais domésticos, a possibilidade de que o Fed seja mais agressivo e o fim do período sazonal de exportação de soja no primeiro trimestre. "Além de o Fed começar a subir juros, a corrida eleitoral vai esquentar a partir do segundo trimestre. Vejo o dólar para cima de R$ 5,60", diz Iha, ressaltando que, se não fosse o ambiente externo, poderia haver estresse no mercado doméstico "com mais um sinal de perda de prestígio do [ministro Paulo] Guedes". /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTÔNIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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