Rafael Arbex / Estadão
Rafael Arbex / Estadão

Com ajuda de relatório da reforma do IR, Bolsa sobe e se descola do exterior

Agradou o mercado a decisão do relator de manter isento o Imposto de Renda para fundos imobiliários; dólar, porém fechou em alta, de olho em alta da inflação dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 14h58
Atualizado 13 de julho de 2021 | 19h10

A Bolsa brasileira (B3) contrariou o clima negativo do exterior e emendou o segundo pregão de alta nesta terça-feira, 13, após o relator da reforma do Imposto de Renda dizer que vai manter a isenção para fundos de investimento imobiliário, em infraestrutura e logística. O Ibovespa subiu 0,45%, aos 128.167,74 pontos. No câmbio, a reformulação no projeto chegou a ajudar o dólar, mas o avanço da inflação dos Estados Unidos pressionou a moeda, que fechou com leve alta de 0,13%, a R$ 5,1809.

Apesar de os índices de Nova York terem fechado em baixa, em dia de inflação ao consumidor nos EUA no maior nível em 13 anos em junho, o que reforça a preocupação quanto ao momento de eventual recalibragem na concessão de estímulos monetários, o Ibovespa conseguiu se firmar no patamar dos 128 mil pontos.  Na semana, ele avança 2,18%, enquanto no mês os ganhos vão a 1,08% e, no ano, a 7,69%.

Na entrevista ao Estadão/Broadcast, o relator da reforma do IR disse também que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), colocará o texto em votação assim que houver "consenso", e ressaltou que as mudanças deverão ser aprovadas ainda neste ano, para que possam valer em 2022. De acordo com fontes, a recalibragem do IRPJ agradou à Febraban - hoje, o presidente da entidade, Isaac Sidney, esteve reunido com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário da Receita Federal, José Tostes Neto, para conversar sobre a reforma.

Lira disse que o parecer preliminar pode ser votado ainda nesta semana, se houver "ambiente e convergência". O relator apresentou o relatório aos líderes hoje e a proposta passa agora a ser debatida com as bancadas da Câmara. "A continuar no ritmo que foi hoje, o texto da reforma tributária do Imposto de Renda pode estar pronto para ser votado esta semana", afirmou nesta terça-feira Lira. Ele disse também que a proposta é "neutra, justa e moderna".

Com os desdobramentos em torno da reforma, as ações de grandes bancos, que contribuíam para segurar o Ibovespa mais cedo, chegaram a mudar de direção em bloco, mas encerraram o dia com sinal misto, entre perda de 0,43% para BB ON e ganho de 0,61% para Itaú PN. Ao fim, o dia se mostrou positivo para as commodities, com Petrobrás PN em alta de 0,61% e Vale ON, de 0,59%, e para as ações de siderurgia, com Usiminas PNA com ganho de 1,33% e CSN ON, de 1,00%.

Porém, após o relator da reforma do IR sugerir compensar a queda na alíquota do IRPJ com a isenção dos benefícios dados a 20 mil empresas, especialmente as indústrias de cosméticos, perfumaria, medicamentos, aeronaves e embarcações, além das termelétricas, as ações desses segmentos caíram. Embraer cedeu 2,94% e Natura, 0,39%.

Porém, em resposta à perspectiva de manutenção da isenção de IR nos fundos de investimento imobiliário, as ações de administradoras de shoppings, como BR Malls, em alta de 2,63% e Multiplan, de 2,86%, se alinharam às campeãs do dia - destaque também para JHSF, com 3,16%.

"Na apresentação do parecer preliminar do deputado Celso Sabino, os fundos imobiliários não serão tributados, permanecendo a redução da alíquota de 20% para 15% no ganho de capital. Essa notícia, em especial, impulsionou o setor de construção e shoppings, uma vez que os fundos são usados como uma forma de financiamento", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

"O relator também aprofundou a redução do IRPJ para empresas de todos os regimes tributários", acrescenta o analista. "A alíquota, hoje de 15%, será reduzida para 5% em 2022 e para 2,5% a partir de 2023. O adicional de 10% para maiores empresas (lucros superiores a R$ 20 mil por mês) está mantido no substitutivo preliminar. Desta forma, na prática, para grandes empresas que excedem R$ 20 mil de lucro mensal, a alíquota vai cair para 12,5%", diz Ribeiro.

"Além da questão dos fundos imobiliários, que conta bastante, o cenário ainda é de recuperação para o PIB no segundo semestre, com revisões não só das previsões sobre o nível de atividade como também para a inflação. Tivemos nova melhora do desempenho de serviços, o que, mantida a vacinação e sem agravamento relacionado a variantes do coronavírus, contribui para este viés positivo. Há ainda muito o que vir com relação à reforma (do IR), pode vir até melhor do que o esperado, com desidratação da primeira proposta do Guedes", diz Thiago Raymon, head de estratégia da Wise Investimentos

Câmbio

A volatilidade marcou os negócios no mercado de câmbio doméstico, com o dólar trocando de sinal várias vezes ao longo do pregão. Apesar do relatório mais favorável da reforma do Imposto de Renda, a pressão vinda fora se impôs, com o fortalecimento global da moeda americana, após o CPI de junho, de 0,9%, ter vindo acima do esperado (0,5%, segundo Projeções Broadcast), o que aumentou as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) possa antecipar o início da redução de compra de títulos públicos (tapering).

Na contramão, jogaram a favor do real a estimativa de entrada forte de recursos para aberturas de capital de empresas na B3 (IPO), a perspectiva de alta mais intensa da taxa Selic por aqui, após declarações ontem no fim do dia do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra sobre o tema.

No acumulado do mês, a moeda americana acumula valorização de 4,18%. Vale destacar que o fechamento no mercado de câmbio doméstico se deu bem no momento em que o índice DXY - que mede o desempenho da moeda americana ante seis divisas fortes - batia na máxima do dia, na casa dos 92,800 pontos. O dólar também subia mais de 1% em relação ao peso mexicano, considerado par do real. Por aqui, a moeda para agosto cedeu 0,17%, cotada a R$ 5,1745.

Na pesquisa mensal do Bank of America com gestores e investidores da América Latina, caiu de 85% para 66% a fatia dos que acreditam em dólar deve terminar o ano abaixo do nível de R$ 5,10, embora tenha sido mantida perspectiva de que o real vai ter desempenho melhor que outras moedas. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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