Jeremy Selwyn/AP
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Dólar sobe 1%, a R$ 5,67, com aversão aos riscos no exterior; Bolsa vira no final e cai

Reino Unido confirmou hoje que registrou a primeira morte do país provocada pela variante Ômicron; investidores também estão à espera da reunião do Federal Reserve na quarta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2021 | 14h35
Atualizado 13 de dezembro de 2021 | 19h16

A aversão ao risco no exterior, diante do noticiário envolvendo a variante Ômicron do coronavírus e a expectativa em torno da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nesta semana, que deverá tratar da redução dos estímulos, afeta os desempenhos dos ativos nesta segunda-feira, 13. A Bolsa brasileira (B3), que chegou a subir mais de 1,5% mais cedo, virou no final do pregão e caiu 0,35%, aos 107.383,32, enquanto no câmbio, o dólar avançou 1,07%, a R$ 5,6741.

O resultado não foi pior na B3, porque o setor de metais ajudou a evitar uma baixa maior do índice. Durante a madrugada ocidental, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, sinalizou compromisso por mais estímulos fiscais, em meio à crise de liquidez no mercado imobiliário.

Com isso, as ações do setor de metais sustentaram altas robustas durante todo o dia e puxaram o desempenho do Ibovespa pela manhã. A Vale, que tem o maior peso no índice, terminou o dia em alta de 2,92%, enquanto Usiminas subiu 1,18% e CSN, 1,52%. Na máxima do dia, o índice tocou os 109.492,91 pontos, alta de 1,61%. Apesar do desempenho ruim de hoje, o Ibovespa sobe 5,37% no mês.

Esse foi o contrapeso do dia para o Ibovespa, com o sentimento de aversão a risco capitaneando os mercados globais à espera de uma semana agitada à frente, com decisões de política monetária na zona do euro, na Inglaterra e nos EUA. Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve anunciar uma mudança no ritmo da retirada de estímulos monetários (o tapering) e, consequentemente, no prazo para o início da alta de juros nos EUA. A aceleração do tapering coloca incertezas sobre o fluxo de investimentos global, sobretudo em relação a emergentes, que podem ver uma fuga de capital.

"Começamos com tom mais otimista, puxado sobretudo por notícias que vieram da Ásia, com estimulo do setor imobiliário, que tende a consumir muita commodity", afirma Pedro Gimenes, sócio e líder da mesa de renda variável da Blue3, completando: "Ao longo do dia, tivemos um pouco de realização no exterior. Na sexta-feira, as bolsas americanas fecharam na máxima histórica, mas hoje abriram cautelosos, principalmente porque teremos decisão de política monetária lá fora (nos EUA)".

Além disso, o anúncio de que a variante Ômicron da covid-19 fez sua primeira vítima fatal no Reino Unido colocou mais incertezas no mercado e, além de conter o desempenho das bolsas lá fora, derrubou ações ligadas ao turismo no mercado brasileiro. Tanto que Gol e Azul listaram entre as maiores queda do Ibovespa durante a maior parte do pregão, de 4,32% e 3,48% cada.

Em resposta, as Bolsas da Europa fecharam em queda - Londres cedeu 0,83%, Frankfurt, 0,01% e Paris, 0,7%. Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,89%, o S&P 500 recuou 0,91%, e o Nasdaq teve queda de 1,39%. Os contratos de petróleo também foram afetados pelo clima ruim. O WTI para janeiro caiu 0,53% em Nova York, enquanto o Brent para fevereiro cedeu 1,01% em Londres.

"O mercado tem monitorado o avanço da Ômicron. Alguns países já estão tomando mais medidas emergenciais. Apesar de essa variante não parecer tão forte, ter um óbito preocupa. Para termos um fim de ano tranquilo, são três fatores (de incerteza) que precisam ser resolvidos: Fed, ata do Copom e o fim (da PEC dos) precatórios. Pra ver se decola o famoso rali de fim de ano", aponta Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest, lembrando que, apesar de impactar menos os preços agora, a votação da Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios ainda precisa ser finalizada na Câmara.

Câmbio

O dólar inicia a semana em alta firme, acima do patamar de R$ 5,65, insuflado pelo fortalecimento da moeda americana no exterior, em meio à expectativa pela decisão de política monetária do Fed.  Após vender US$ 687 milhões à vista na sexta-feira, o Banco Central interveio novamente no mercado hoje. Em leilão no início da tarde, quando o dólar renovava máximas, o BC aceitou cinco propostas e vendeu US$ 905 milhões, com taxa de corte de R$ 5,6415.

A atuação da autoridade monetária provocou um alívio temporário da pressão altista e levou o dólar a ser negociado momentaneamente abaixo da linha de R$ 5,65. Ao longo da tarde, contudo, a moeda americana voltou a acelerar, marcando alta superior a 1%. Na máxima do dia, subiu a R$ 5,6787.

No exterior, a moeda americana ganhou força em relação às principais divisas emergentes e de exportadores de commodities, embora o real tenha apanhado mais. O índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes - operou em alta durante todo o pregão, tendo tocado na casa de 96,400 pontos na máxima do dia.

Por aqui, a expectativa é em torno da divulgação, amanhã, ata da reunião da semana passada do Copom, em que a taxa Selic foi elevada em 1,50 ponto porcentual, para 9,25% ao ano. Embora o comunicado do comitê tenha sinalizado com manutenção do ritmo de aperto, uma ala do mercado pondera que a ata pode trazer um tom menos duro que o comunicado, abrindo espaço para uma alta menor da Selic em fevereiro, diante da desaceleração da atividade. Essa aposta pode ser reforçada em caso de decepção de dados do setor de serviços amanhã e do IBC-Br, na quarta-feira. /BÁRBARA NASCIMENTO, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAG

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