Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa sobe 1,3% e registra melhor nível de fechamento desde 15 de setembro; dólar cai

Ibovespa se apoiou hoje no bom humor do mercado de Nova York, com o Dow Jones encerrando em forte alta de 1,10%; índice fecha a semana com ganho de 1,61%

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2021 | 14h39

Apoiada no bom humor do mercado de Nova York, a Bolsa brasileira (B3) se manteve em alta durante todo o pregão desta sexta-feira, 15, e terminou o dia perto da máxima do dia, com alta de 1,29%, aos 14.647,99 pontos. Diante do resultado, o Ibovespa registrou seu melhor nível de fechamento desde o dia 15 de setembro. No câmbio, o dólar recuou 1,11%, a R$ 5,4547.

A Bolsa fechou a semana com alta de 1,61%, obtendo assim seu primeiro ganho semanal desde o intervalo entre 20 e 24 de setembro. Na máxima, o índice bateu nos 114.776,05 pontos. No mês, o Ibovespa avança agora 3,31%, restringindo as perdas do ano a 3,67%.

No exterior, os índices da Bolsa de Nova York operaram em forte alta, ancorados pela temporada de balanços corporativos. O Dow Jones fechou com alta de 1,10%, enquanto S&P 500 e Nasdaq avançaram 0,75% e 0,50% cada. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio subiu 1,81%, enquanto o índice chinês de Xangai subiu 0,40%. Na Europa, Londres subiu 0,37%, Paris, 0,63%, e Frankfurt, 0,81%.

Os índices internacionais ganharam força também com o crescimento mensal de 0,6% das vendas no varejo americano em setembro. A previsão era de queda. Ainda assim, o Canadian Imperial Bank of Commerce (CIBC) destaca que o aumento dos preços foi um dos principais responsáveis pela ampliação de receitas das empresas varejistas. A Oxford Economics, por sua vez, alerta para os gargalos de oferta que levaram a uma queda do índice de atividade industrial Empire State, na leitura preliminar de outubro.

Os sinais de recuperação da economia americana, reiterados na ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) desta semana, que manteve a indicação sobre retirada de estímulos monetários a partir de novembro, deixam os emergentes na defensiva, situação que ganha uma textura a mais no Brasil, em meio à falta de avanço na agenda de reformas à medida que o ano se aproxima do fim e a temporada eleitoral começa a ganhar a boca de cena, com incerteza pendente sobre questões como valor e extensão de benefícios sociais e parcelamento de dívidas (precatórios).

O dia foi negativo para Petrobras ON e PN, em baixas de 0,3% e 0,27% cada, mesmo com o petróleo em alta no exterior, o que impediu que o Ibovespa fosse um pouco além na sessão, em dia de alguma recuperação para Vale ON, em alta de 1,87%, e de ganhos sólidos no setor de bancos, com alta de 3,99% para Santander, 5,24% para Bradesco, e de 2,57% para Itaú PN.

Destaque também para Pão de Açúcar, em alta de 11,85%, com a transação de R$ 5,2 bilhões com o Assaí para transferência e conversão de pontos comerciais do Extra Hiper - logo depois, Americanas ON subiu 9,18% e Cielo, 5,65%.

Após ter tocado a marca durante a sexta-feira anterior e também no intradia da última quarta-feira, o Ibovespa conseguiu encerrar a semana "testando justamente os 114 mil pontos, resistência que será decisiva no curtíssimo prazo", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. "Confirmado o rompimento do patamar, a tendência de baixa de curtíssimo prazo irá perder força e o mercado finalmente pode ter repique, com alvo inicial na faixa de 118 mil pontos", acrescenta o analista. Tal nível não é observado desde o princípio de setembro: após iniciá-lo em alta moderada, aos 119,3 mil, o índice embicou para os 116,6 mil pontos ainda no dia 2, quando começou a acentuar correção que se estenderia por setembro (-6,57% no mês).

Dólar

O ambiente externo de apetite ao risco, e o efeito cumulativo das intervenções do Banco Central minaram o fôlego do dólar no mercado doméstico de câmbio nesta sexta. No fim da manhã, sob efeito de leilões de swaps (venda de dólares no mercado futuro) e de declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, a moeda à vista chegou a ser negociado abaixo do patamar de R$ 5,44, ao registrar a mínima de 5,4346. Com o tombo hoje, a divisa americana fechou a semana em queda 0,77% e avança de apenas 0,16% em setembro.

Em evento virtual pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC admitiu que pode haver uma "dinâmica perversa" no câmbio, mas reforçou que a instituição tem uma "capacidade robusta" de intervenção no mercado - no que foi interpretado, nas mesas de operação, como um recado de que não vai deixar a taxa de câmbio à deriva. Serra disse também que o mercado teve "claramente dificuldade em digerir" parte do risco cambial desde fins de setembro, fruto da saída concentrada de recursos, o que acabou levando o BC a atuar para garantir a liquidez. "É sempre melhor quando o mercado funciona sozinho, mas os volumes vendidos pelo BC nos últimos dias mostram que estamos atentos", afirmou Serra, acrescentando que "se a política econômica ficar de pé", o dólar vai perder força, "voltando a responder ao diferencial de juros".

Embora não se descarte a possibilidade de o dólar voltar a ser negociado acima de R$ 5,50 e busque até R$ 5,55 no curto prazo, operadores avaliam que a atuação do BC quebrou a espiral de desvalorização do real. Com a autoridade monetária na ponta vendedora, a montagem de posições compradas (que apostam na alta do dólar) se torna muito mais arriscada, o que inibe a especula ção.

"Começou um movimento de especulação para chamar o BC ao mercado. Esses leilões extras [de dólar] quebraram essa dinâmica. Agora ficou mais desconfortável ficar comprado em dólares, porque o BC pode intervir e dar liquidez para atender à demanda por dólares", diz o  gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo , que vê a taxa de câmbio rodando, no curto prazo, em uma banda entre R$ 5,35 e R$ 5,55, acrescentando que o aumento das remessas típico de fim de ano, aliado ao ruído político e ao cenário externo ainda conturbado, impõem um piso à taxa de câmbio. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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