Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Dólar fecha a R$ 5,12, queda de 1%, no menor valor desde 29 de julho; Bolsa sobe

Ausência de novidades em ata do banco central americano ajudou no recuo da moeda; mesmo com Nova York em queda, Ibovespa fechou no maior nível desde 14 de setembro

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2022 | 14h39
Atualizado 16 de fevereiro de 2022 | 19h36

A ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) foi bem recebida pelo mercado nesta quarta-feira, 16, e ajudou a dar novo fôlego para os ativos, apesar das tensões entre Rússia e Ucrânia. No câmbio, o dólar caiu 1,02%, a R$ 5,1279, na mínima do dia e no menor valor desde 29 de julho do ano passado, enquanto a Bolsa brasileira (B3) avançou 0,31%, aos 115.180,95 pontos, no maior patamar desde 14 de setembro.

Em sua ata, o BC americano confirmou que deve dar início a um ciclo de alta de juro em breve (a primeira alta é esperada para março) e que será apropriado, em seguida, começar a redução seu balanço patrimonial - ou seja, retirar dinheiro do sistema. A ata traz a informação, contudo, de que ainda não há nenhuma decisão sobre o tema, algo que deve ocorrer nas próximas reuniões. E que, quando ocorrer, a redução do balanço será em ritmo mais acelerado que na ocasião anterior, entre 2017 e 2019.

A Capital Economics analisa que os dirigentes não pareciam considerar seriamente o aumento de 50 pontos-base, ainda que a reunião tenha ocorrido antes da divulgação de dados sobre inflação e mercado de trabalho em janeiro. Para a consultoria, os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed parecem concordar em princípios gerais, mas ainda precisam entrar nas especificidades.

“A inflação americana batendo recorde de 40 anos, em dezembro e janeiro, e o mercado de trabalho americano superapertado corroboram, e foi dito pelo Fed, ser necessário o ajuste de política monetária. As minutas do Fed, hoje, trazem muito do último discurso do Jerome Powell (presidente do BC americano), mas de uma forma que contemporiza o risco, buscando ganhar tempo”, diz Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).

Logo após a ata, o dólar caiu a R$ 5,12. Pela manhã, a moeda rompeu o piso de R$ 5,15 e passou a maior parte da tarde orbitando R$ 5,14. Lá fora, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes - também registrou mínima após a ata do Fed, passando a ser negociado abaixo da linha de 95,800 pontos. A moeda americana apanhou frente a divisas emergentes e de exportadores de commodities. Hoje, até o rublo russo experimentou um leve fortalecimento.

"A percepção é que o dólar poderá romper a casa dos R$ 5,00 no curto prazo", diz Ricardo Gomes da Silva, diretor da Correparti , acrescentando que a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) a favor do processo de privatização da Eletrobras foi muito bem recebida. "O mercado está começando a ficar 'empossado' e distorcido", diz.

Dados do fluxo cambial divulgados hoje à tarde pelo Banco Central mostraram continuidade de conversão de dólares em reais para aporte para ativos locais, embora já em ritmo menor. Houve entrada líquida de US$ US$ 693 milhões pelo canal financeiro na semana passada (de 7 a 11 de fevereiro).

Apesar do cenário positivo, o clima de tensão no leste europeu segue no radar dos investidores. Os Estados Unidos disseram não ver nenhuma retirada de forças russas próximas à Ucrânia e foram apoiados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que confirmou a permanência de militares, através de imagens de satélite. Em comunicado conjunto após reunião em Bruxelas, os ministros da Otan pediram para que Moscou opte por um caminho diplomático. Em alerta às empresas locais, agências governamentais americanas destacaram ataques cibernéticos com apoio russo.

As declarações mexeram com os preços do petróleo, que saltaram em torno de 1,7%. De acordo com Craig Erlam, da Oanda, os preços do petróleo aumentaram no final da sexta-feira e no início da semana, à medida que o risco percebido de uma invasão russa aumentou, ameaçando impactar os suprimentos em um mercado já extremamente apertado e com pouca oferta de barris. No mercado, o temor é que o barril chegue a US$ 100.

Bolsa

Mesmo com a retomada da percepção de risco no exterior ao longo da maior parte da sessão, o Ibovespa de pouco em pouco chegou hoje ao sétimo avanço consecutivo, com o dólar a R$ 5,1279 na mínima do dia, no fechamento, parecendo mostrar que o fluxo permanece de pé a despeito da orientação do cenário externo pouco favorável. Na semana, o índice sobe 1,42% e, no mês, 2,71% - no ano, os ganhos chegam a 9,88%.

O ganho do mercado brasileiro veio descolado do recuo de Nova York, com o Dow Jones em baixa de 0,15% e o Nasdaq, de 0,11%, enquanto o S&P 500 teve variação positiva de 0,09%. 

"Havia setores muito largados, como varejo, e oportunidades em ações ainda muito baratas, como por exemplo Banco do Brasil que, como o Itaú, teve balanço bom”, diz Igor Barenboim, economista-chefe da Reach Capital. “Está no preço (dos ativos brasileiros) de que não haverá disciplina fiscal, mas também há uma correção em relação ao momento mais pessimista, o que se percebe também no câmbio. Em relação a emergentes como Índia, cara no momento, o Brasil tem se mostrado como uma opção para os estrangeiros”, acrescenta.

Entre as ações, Petrobras ON e PN subiram 2,20% e 1,39% cada, enquanto Vale teve ganho de 0,73%. O dia também foi positivo para as ações de grandes bancos, à exceção de Itaú, em baixa de 1,05%. Na ponta do Ibovespa, destaque para Assaí, em alta de 7,14%, CVC, de 5,96%, Natura, de 5,93% e Carrefour, de 5,31%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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