B3/ Divulgação
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Bolsa segue o mercado de Nova York e fecha em queda de 1,2%; dólar fica estável

Investidores reagiram hoje ao índice de sentimento do consumidor americano, que veio abaixo do esperado na leitura parcial para julho; Ibovespa tem ganho de 0,42% na semana

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2021 | 16h26
Atualizado 16 de julho de 2021 | 18h22

Influenciada pelo mau humor dos mercados internacionais, principalmente Nova York, após o índice de sentimento do consumidor americano vir abaixo do esperado, a Bolsa brasileira (B3) fechou a sexta-feira, 16, com queda de 1,18%, aos 125.960,26 pontos, no menor nível desde 8 de julho. No câmbio, o dólar ficou estável, com alta de 0,01%, cotado a R$ 5,1154.

Na semana, o Ibovespa registrou leve ganho de 0,42%, vindo de perda de 1,72% na semana anterior - nas últimas quatro semanas, alternou perdas e ganhos, que mantêm o índice agora abaixo do nível em que estava em 30 de junho. Assim, no mês, o índice vira para o negativo, em baixa de 0,66%, limitando os ganhos do ano a 5,83%.

"Houve muita volatilidade hoje, tendo abertura forte, para cima, levando em conta ainda a fala do Powell (Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano)), de que não vai diminuir o programa de recompras e de que a inflação é passageira, mas durante o dia, principalmente lá fora, o mercado azedou após o sentimento do consumidor nos Estados Unidosvir abaixo do esperado", diz Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo. "O mercado está um tanto sem direção, reagindo a uma notícia aqui, outra ali", acrescenta.

Segundo a Universidade de Michigan, o índice preliminar de confiança do consumidor caiu para 80,8 na primeira metade de julho, o menor patamar desde fevereiro, ante leitura de 85,5 em junho. Economistas consultados pela Reuters esperavam alta para 86,5. De acordo com Goldman Sachs, em relatório, o dado mostrou também uma elevação nas expectativas de inflação no país, sobretudo no curto prazo.

Entre as ações, acompanhando o mau humor de Nova York, o setor bancário cedeu, com Bradesco PN e Itaú PN fechando em baixas de 2,21% e 1,62%, respectivamente. O dia também foi negativo para as ações de commodities, com Vale ON em queda de 1,80% e Petrobrás PN, de 1,91%. Na ponta positiva, B2W fechou em alta de 4,15%, à frente de Sabesp, com 2,12% e de Marfrig, com 1,56%. No lado oposto, Embraer cedeu 4,00%, CSN, 3,46%, e Azul, 3,23%.

"A reação do índice na semana que vem será decisiva para o curtíssimo prazo. No caso de perder o patamar, e, consequentemente, os 125 mil pontos, tendência de baixa no curtíssimo prazo será iniciada com alvo na faixa de 120 mil pontos", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Ele chama atenção para comentários da secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, de que os preços nos Estados Unidos podem continuar subindo "por vários meses", antes de convergirem para os níveis históricos.

"Na mesma linha, Powell afirmou que a alta coloca a inflação em nível desconfortavelmente acima do que seria consistente com os objetivos do Fed, embora ele mantenha o discurso de que as pressões inflacionárias são transitórias", acrescenta Ribeiro.

Segundo Victor Lima, analista da Toro Investimentos, no plano doméstico, os investidores continuam monitorando os desdobramentos em torno da reforma do Imposto de Renda e as notícias relacionadas à saúde do presidente Jair Bolsonaro, internado nesta semana em São Paulo, em boa condição conforme boletim médico desta tarde, mas ainda sem previsão de alta. O noticiário político tende a perder temperatura no curto prazo, com o início do recesso de meio de ano no Congresso.

Câmbio

Com agenda doméstica esvaziada e sem novos sinais sobre o rumo da política monetária nos EUA, o mercado doméstico de câmbio teve um pregão de oscilações mais modestas. Após certa volatilidade pela manhã, quando alternou entre leves altas e baixas, o dólar passou a maior parte da tarde em queda, em sintonia com o comportamento frente às divisas pares do real, como o peso mexicano e o rand sul-africano. 

Na semana, a moeda americana perdeu 2,36%. Isso fez com que a valorização acumulada do dólar frente ao real em julho caísse para 2,86%. Já o dólar para agosto fechou hoje a R$ 5,1205, uma leve queda de 0,05%. Na semana, o recuo foi de 2,86%.

A apreciação do real ao longo desta semana é atribuída a uma combinação fatores domésticos e externos. Por aqui, houve certo alívio com a repaginação da reforma tributária, após o parecer do deputado Celso Sabino (PSDB-PA). Em relatório, a Armor Capital afirma que o novo relatório "trouxe algum otimismo aos mercados", embora ainda "demande ajustes".

Ainda segundo a consultoria, a realização de ofertas de ações relevantes na Bolsa podem ter "algum impacto positivo sobre o fluxo cambial, em que pese a "baixa participação dos estrangeiros em IPOs neste ano". /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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