Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Dólar sobe a R$ 5,16 e Bolsa cai 1,4% com aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia

Investidores ficaram mais cautelosos após Joe Biden dizer que uma ameaça de invasão russa na Ucrânia é 'muito alta'; em Nova York, Nasdaq cedeu 2,9%

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2022 | 17h33
Atualizado 17 de fevereiro de 2022 | 18h51

A sessão é marcada por segurança tanto no exterior quanto no Brasil, devido à continuidade da tensão envolvendo as negociações para que a Rússia não invada a Ucrânia. Em Nova York, o Nasdaq caiu 2,9%, enquanto a Bolsa brasileira (B3) cedeu 1,43%, aos 113.528,48 pontos. Já o dólar voltou a subir no exterior e ante o real, fechando em alta de 0,76%, R$ 5,1669.

As Forças Armadas da Rússia podem não ter ultrapassado os limites da fronteira com a Ucrânia, mas uma guerra de narrativas já está em curso e deixa o mundo em suspense sobre os próximos passos da crise. Os Estados Unidos alegam que sete mil soldados russos foram enviados à fronteira com a nação vizinha, na contramão do compromisso do governo de Vladimir Putin de começar a recuar. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também diz não haver evidência de diminuição da atividade militar na região e já considera reforçar suas forças de defesa no Leste Europeu. 

O presidente dos EUA, Joe Biden, reforçou as incertezas ao dizer que a ameaça de uma invasão russa na Ucrânia é "muito alta" e levantou a possibilidade de que isso possa acontecer em "poucos dias". Já o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse, diante do Conselho de Segurança da ONU, que os planos da Rússia incluem a tomada de Kiev.

Blinken enviou uma carta para o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, a fim de propor uma reunião presencial na próxima semana. A decisão do governo russo de expulsar o vice-embaixador dos EUA em Moscou, Bart Gorman, deverá ser abordada no encontro.

A possibilidade de conflito “ganhou força depois de rebeldes apoiados pela Rússia, no leste da Ucrânia, acusarem as forças do governo (ucraniano) de bombardear o território com morteiros”, diz Pietra Guerra, especialista de ações da Clear Corretora.

Diante do cenário conturbado, o dólar tocou em R$ 5,1836 na máxima do dia. Na semana, a moeda apresenta desvalorização de 1,44% e, em fevereiro, já perde 2,62%. No exterior, o índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, terminou o dia em alta de 0,10% - o dólar caía a 114,94 ienes , o euro recuava a US$ 1,1361 e a libra tinha alta a US$ 1,3623. O rublo russo, por sua vez, operava em queda, com o dólar avançando a 76,366 rublos.

"Hoje, temos uma realização de lucros no mercado local com essa questão da Rússia, mas acredito que ainda há muito fluxo estrangeiro por vir e que o dólar pode testar os R$ 5 ainda este mês", afirma Rodrigo Joligi, sócio e CIO da Alphatree Capital, que não vê uma deterioração muito forte em ativos de risco mesmo em caso de uma invasão russa à Ucrânia. 

Com as atenções voltadas às tensões geopolíticas, investidores deixaram em segundo plano indicadores fracos da economia americana. Os pedidos de auxílio-desemprego no país subiram 23 mil na semana passada, a 248 mil, bem acima da previsão do mercado. Já as construções de moradias iniciadas tiveram queda de 4,1% em janeiro ante dezembro. 

"Os indicadores americanos vieram um pouco piores do que o esperado e reforçam a possibilidade de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) adote postura menos dura na política monetária, com possível alta de juros de 0,25 pp em março", avaliou o  estrategista Jefferson Laatus, do grupo Laatus. Hoje, o presidente do Fed de St. Louis, James

Bullard, defendeu um aumento de 100 pontos-base na taxa de juros americana até julho.

Bolsa

Em dia de agenda relativamente vazia, o Ibovespa seguiu o exterior e se inclinou a uma realização de lucros após sete altas seguidas, perdendo o patamar dos 115 mil pontos alcançado no pregão anterior. Na semana, o índice passa a cair 0,04%, ainda ganhando 1,23% no mês - em 2022, a alta é de 8,31%. Apesar do resultado ruim, a Bolsa teve desempenho melhor que Nova York.Liderando as perdas, o Nasdaq caiu 2,88%, enquanto S&P 500 teve baixa de 2,12% e o Dow Jones, 1,79%.

“O Ibovespa ficou bastante pesado com essa aversão a risco desde o exterior, e, além disso, o minério de ferro caiu 6% hoje no mercado chinês, com recuo (global) também no petróleo. Então, não tivemos apoio das commodities, que era o que estava salvando (o Ibovespa) nesse momento de tensão”, diz Flávio de Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos.

Hoje, Vale caiu 4,30% e CSN, 5,85%, enquanto as ações ON e PN de Petrobras cederam 0,47% e 0,39% cada. As ações de Gerdau e Usiminas baixaram 5,32% e 4,07% cada. Na B3, destaque positivo nesta para Totvs, em alta de 5,81%, e Marfrig, de 4,22%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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