Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa cai 1,39% e fecha no menor nível em um ano com temor sobre PEC dos precatórios

Ibovespa encerrou no menor nível desde o dia 12 de novembro de 2020, enquanto o dólar à vista encerrou em alta, cotado em R$ 5,52

Simone Cavalcanti e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 16h28
Atualizado 17 de novembro de 2021 | 19h22

O temor fiscal contaminou todos os setores do Ibovespa nesta quarta-feira, 17, fazendo com que o principal índice da B3 emendasse a  terceira perda diária superior a 1% e encerrasse em baixa de 1,39%, aos 102.948,45 pontos, no menor nível desde 12 de novembro do ano passado, então aos 102.507,01 pontos.

Reforçado pelo vencimento de opções, o giro financeiro totalizou R$ 48,9 bilhões na sessão e, com a queda deste pregão, o Ibovespa passa a terreno negativo no mês, acumulando perda de 0,53% em novembro e estendendo a série negativa iniciada em julho. No ano, a retração chega a 13,50%, com perda de 3,18% até aqui na semana, em duas sessões apenas. 

As incertezas sobre a PEC dos precatórios estiveram no centro das atenções, que motivou aversão ao risco generalizada, potencializada na segunda metade do pregão. O recuo do petróleo e mau humor em Nova York também contribuíram para a tendência no mercado.

Como destaque negativo, apareceram os papéis de maior volatilidade e que sofrem mais com a perspectiva de aumento de juros, incluindo Banco Inter, -6,68% (PN) e -7,32% (Units), assim como Locaweb, que cedeu 9,44%, liderando entre as maiores quedas do índice. O varejo e a construção civil, penalizados ainda pela alta inflacionária, deram continuidade às quedas vistas nas sessões anteriores.

 "Até o fechamento do Orçamento, vamos continuar com essa aversão ao risco. O ano está acabando, não resolvemos nem a questão da PEC. Enquanto temos um imbróglio de informações sobre o tema já se fala em reajuste para os servidores. A indefinição fiscal é predominante e puxa até papéis que têm bons fundamentos. Vemos uma deterioração do cenário macroeconômico, com a pressão inflacionária e taxa de juros que penalizam o consumo e levam os investidores a vender", avalia o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti.

Dólar

Após oscilar entre os terrenos positivos e negativos pela manhã, influenciado muito pelo comportamento da moeda americana no exterior, o dólar à vista não apenas se firmou em alta ao longo da tarde, operando acima dos R$ 5,50, como chegou a correr até o patamar de R$ 5,53.

A deterioração mais aguda veio após declarações do líder do governo e relator da PEC no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), dando conta de que o texto pode sofrer alterações na Casa para angariar mais apoio, o que faria a proposta retornar à Câmara dos Deputados para nova votação. Isso atrasa uma definição para o Orçamento de 2022, o que aumenta a percepção de risco e abala a confiança dos investidores. Rumores de que o governo poderia aproveitar brecha na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para reajustar salário de servidores sem estabelecer a fonte de financiamento ajudaram a azedar ainda mais o humor do mercado.

Com mínima de R$ 5,4661, registrada pela manhã, e máxima a R$ 5,5332 (+0,61%), o dólar à vista encerrou a sessão cotado a R$ 5,5242, alta de 0,45% - o que reduziu a queda acumulada no mês para 2,16%. O giro com o contrato futuro de dólar para dezembro foi bem reduzido, refletindo pouco apetite para formação de posições.

Embora o dia lá fora tenha sido misto para divisas emergentes e de países exportadores de commodities, como destaque negativo para o peso chileno e a lira turca, não dá para atribuir a depreciação do real hoje apenas ao ambiente externo. Entre os principais pares do real, o peso mexicano ganhou força e o rand sul-africano trabalhou perto da estabilidade. 

"Embora câmbio tenha melhorado ligeiramente hoje pela manhã, acompanhando o bom humor do cenário externo, as incertezas com a PEC dos Precatórios continuam pesando sobre o mercado local, com o real com performance pior", afirma a economista do Banco Ourinvest Cristiane Quartaroli. "A percepção é de cautela por parte dos investidores com relação ao Brasil. O câmbio segue em nível elevado e com tendência de alta". 

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