Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Sinais mais duros do BC americano pressionam o dólar, mas Bolsa encerra o dia com ganhos

Moeda americana bateu os R$ 5,60 após integrantes do Federal Reserve defenderem que a retirada de estímulos deve ser discutida em dezembro

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2021 | 16h19
Atualizado 19 de novembro de 2021 | 18h44

Se a perspectiva de que a PEC dos precatórios possa andar mais rápido no Senado abriu espaço para uma correção das perdas recentes entre os ativos domésticos, declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o BC americano) ao longo da tarde acabaram limitando a melhora. 

No caso do câmbio, aliás, a recuperação vista mais cedo deu espaço ao pessimismo, jogando o dólar na casa de R$ 5,60 ante a brasileira. Dois membro do banco central dos EUA defenderam, diante dos números de atividade e inflação recentes, que comece a se discutir, em dezembro, uma aceleração do tapering (retirada de estímulos). Tal fato fez recrudescer temores de que, em meio à resiliência dos preços, o Fed também possa antecipar para algum momento de 2022 o início do aperto monetário. 

Isso fez o dólar ganhar força ao redor do mundo e, em relação ao real, acabou terminando com valorização de 0,70%, a R$ 5,6089. Na semana, impulsionado pelas incertezas fiscais domésticas, o avanço acumulado foi de 2,79%. 

Apesar dos problemas fiscais domésticos seguirem como indutor relevante da retomada de posições defensivas no mercado doméstico, o desempenho do real ao longo da semana não foi pior que de seus pares emergentes. O índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis divisas fortes - operou hoje em alta firme, rompendo o patamar dos 96,000 pontos, com ganhos expressivos frente ao euro. 

Mas não foi apenas isso que impôs um dia majoritariamente negativo ao exterior. O avanço da covid-19 na Europa, com a adoção de restrições pela Áustria, suscita temores sobre a interrupção da retomada global e o adiamento da normalização das cadeias produtivas. 

Nesse ambiente, o petróleo cedeu ao redor de 3%, enquanto Dow Jones e S&P 500 recuaram em Wall Street. A exceção foi o Nasdaq, que subiu 0,40% e renovou máxima história, acima dos 16 mil pontos, uma vez que as empresas de tecnologia tendem a sofrer menos nesse quadro de maior estresse sobre uma nova onda da pandemia. 

Parcialmente alheios a isso, a Bolsa subiu, enquanto os juros caíram. No caso da renda variável, o tombo acumulado na semana, até então, trouxe oportunidades de compras, ainda mais após a possibilidade de que um fatiamento da PEC dos precatórios acelere a tramitação no Senado e ajude a reduzir, mesmo que pontualmente, as incertezas em relação às contas públicas de 2022. 

No fim, o Ibovespa subiu 0,59%, aos 103.035,02 pontos, depois de quatro perdas diárias seguidas. Ainda assim, não foi o suficiente para impedir a queda de 3,10% desde a última sexta-feira. A PEC, aliás, também foi o que ajudou a tirar prêmios dos DIs, ainda que, no acumulado da semana, os vencimentos longos tenham subido, com redução da inclinação negativa da curva a termo. 

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