Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa sobe 1%, aos 109,1 mil pontos, no maior patamar desde 20 de outubro; dólar cai 0,9%

Moeda americana fechou no menor valor desde 11 de novembro; na máxima do dia, Ibovespa ficou bem próximo de bater nos 110 mil pontos

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2022 | 16h34
Atualizado 20 de janeiro de 2022 | 18h56

Os ativos locais emendaram mais um pregão de recuperação nesta quinta-feira, 20, com a Bolsa brasileira (B3) em alta de 1,01%, aos 109.101,99 pontos no final do pregão, no maior nível de fechamento desde 20 de outubro. Já o dólar fechou em queda de 0,90%, a R$ 5,4165, no menor valor desde 11 de novembro. 

Na máxima do dia, o  Ibovespa subiu 1,72%, aos 109.873,35 pontos, no maior nível intradia desde 21 de outubro. O índice acumula agora avanço de 2,03% na semana e de 4,08% no mês. Durante boa parte do pregão, os ganhos foram sustentados pela alta do mercado de Nova York, cujos índices viraram no final - Dow Jones cedeu 0,89%, o S&P 500, 1,10% e o Nasdaq, 1,30%.

"O mercado acompanhava a melhora do exterior. À tarde, a fala do Roberto Campos Neto (presidente do BC) sobre a curva de juros, que mostraria que o ciclo de alta está chegando ao fim, foi o suficiente para o mercado começar a entender que esse aperto monetário que o Banco Central vem fazendo pode estar efetivamente chegando ao fim", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

No cenário macro, embora o "lado fiscal" permaneça "sensível", com o mercado ainda atento a "possíveis ruídos", os descontos acumulados na B3 e a recuperação até certo momento vista também em Nova York são positivos para a retomada da demanda por ações, com os investidores tendo recebido bem, desde ontem, a reiteração de que o líder nas pesquisas eleitorais para a presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, pretende ter como vice Geraldo Alckmin, em "aceno mais próximo do centro", observa em nota a Nova Futura Investimentos.

"Tendemos a comparar com as últimas eleições, quando o debate começou no centro e aos poucos foi se polarizando. Agora temos uma situação muito polarizada com alguns candidatos sinalizando que podem caminhar para o centro", disse Campos Neto, em

que comentou que a "polarização da eleição já afeta um pouco a volatilidade do câmbio". 

Contudo, em outra frente acompanhada de perto pelo mercado, os investidores mantêm a expectativa para a sanção do Orçamento de 2022, que precisa ser feita até esta sexta-feira, 21, pelo presidente Jair Bolsonaro. "Ainda nesse momento não está claro se vai ter aumento no salário dos servidores públicos. Seguimos aguardando maior clareza sobre o Orçamento", aponta Pietra Guerra, especialista de ações da Clear Corretora.

Na ponta do Ibovespa, destaque para mais um dia de recuperação para Banco Inter, em alta de 13,16%, à frente de CVC, de 10,47%, e de Petz, de 9,71%. No lado oposto, Carrefour Brasil cedeu 2,59%, e Suzano, 2,49%. Entre as ações de grande peso, Petrobras ON e PN fecharam respectivamente em alta de 0,64% e 0,73%, mesmo com oscilação para baixo no petróleo, enquanto Vale caiu 1,70%.

Câmbio

O dólar à vista emendou na sessão desta quinta, o segundo pregão seguido de queda firme, em meio a relatos de fluxo de recursos externos para a Bolsa brasileira, além de desmonte de posições compradas em dólar futuro (que ganham com a alta da moeda) por parte de fundos estrangeiros na B3.

Em baixa desde a manhã, em linha com as demais divisas emergentes, na esteira de mais corte de juros na China, o dólar à vista acelerou as perdas ao longo da tarde e chegou a romper o piso psicológico de R$ 5,40 - na mínima, a moeda tocou R$ 5,3795, menor valor intradia desde 4 de outubro.

A divisa até esboçava encerrar o dia abaixo de R$ 5,40, mas reduziu a queda no fim do pregão, com a aceleração do índice DXY - que mede a variação do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes - para a casa dos 95,700 pontos, sobretudo por conta dos ganhos em relação ao euro. A queda acumulada nos últimos dois dias é de 2,65%. Graças ao tombo recente, a moeda agora registra perdas de 2,86% em janeiro. Ao lado do rand sul-africano, o real liderou hoje o pelotão de ganhos de divisas emergentes em relação à moeda americana. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.