Gary Cameron/Reuters
Gary Cameron/Reuters

Dólar fecha a R$ 5,10, em queda de 0,6%, no menor valor desde 29 de julho; Bolsa cai 1%

Entrada de investimentos estrangeiros no Brasil deu força para o real hoje, com o dólar tocando em R$ 5,07 na mínima do dia; feriado nos EUA puxa o Ibovespa para baixo

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2022 | 14h43
Atualizado 21 de fevereiro de 2022 | 18h59

A entrada de investimentos estrangeiros no Brasil, apesar do cenário externo pouco favorável, fez o dólar fechar em queda de 0,64%, a R$ 5,1070 nesta segunda-feira, 21, menor valor desde 29 de julho de 2021. Apesar do desempenho favorável do real, a Bolsa brasileira (B3) caiu 1,02%, aos 111.725,30 pontos, sem o apoio de Nova York, cujos mercados estão fechados em razão do feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos.

Para a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, o real se beneficia da "rotação de carteiras de investidores globais". Além dos mais de R$ 50 bilhões de ingresso estrangeiro na Bolsa, é "factível que o estrangeiro esteja entrando em renda fixa", dado o diferencial entre juros externos. "A grande questão é a perenidade desses investimentos em portfólio, pois tendem a ser muito voláteis. Ainda mais em momentos de tantos desafios internos com a recessão, inflação elevada, eleição polarizada e incertezas sobre o regime e regras fiscais", diz.

Segundo o sócio da Valor Investimentos Davi Lelis, os preços elevados das commodities e o patamar atual das ações brasileiras tornam o Brasil muito atraente para o estrangeiros. "Além disso, a Selic em patamares de dois dígitos atrai investidores para a renda fixa. O juro real positivo é o melhor produto de exportação do Brasil neste momento mais conturbado da economia mundial", afirma Lelis. "O real foi uma das piores moedas no ano passado. E agora está no topo da lista".

Como tem sido habitual, o real figurou com a divisa de melhor desempenho global, fenômeno atribuído por operadores e economistas à taxa de juros básica elevada (10,75%) e ao apetite dos estrangeiros por ativos ligados a commodities, preferidos na rotação global de portfólio diante da expectativa de alta de juros nos Estados Unidos a partir de março. Os contratos futuros do petróleo subiram quase 3%, ao passo que a cotação do minério de ferro negociado na China, avançou 5%.

Na mínima do dia, o dólar tocou em 5,0754. No exterior, o índice DXY - que mede a variação do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes - exibia leve alta, acima dos 96,100 pontos. A moeda americana subiu frente à maioria de divisas emergentes e de países exportadores de commodities, com ganhos de mais de 3% ante o rublo, abalado pela crise geopolítica.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, conversou hoje com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e o homólogo francês, Emmanuel Macron, sobre os recentes desdobramentos da crise que envolve seu país e a Rússia. Pelo Twitter, o ucraniano escreveu que teve os contatos "urgentes" após as "declarações feitas na reunião do Conselho de Segurança da Federação Russa". Segundo Zelensky, o Conselho Nacional de Segurança e Defesa de seu país foi convocado.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também teve conversas telefônicas com o presidente da França e o chanceler da Alemanha. Putin informou que irá assinar um decreto reconhecendo a independência das regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia. A assinatura, segundo o Kremlin, ocorrerá "em um futuro próximo".

Por sua vez, o alto representante da União Europeia, Josep Borrell, afirmou que caso haja uma anexação pela Rússia de regiões separatistas no leste da Ucrânia, "certamente" sanções serão impostas ao país. O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, condenou a decisão e disse que a ação" prejudica ainda mais a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, corrói os esforços para a resolução do conflito e viola os Acordos de Minsk, dos quais a Rússia é parte".

Bolsas

Sem o apoio de Nova York, as bolsas europeias fecharam em queda, com algumas praças em baixa de mais de 2%, em meio aos desdobramentos da crise geopolítica envolvendo a Ucrânia. As Bolsas da Ásia fecharam mistas. Por aqui, o Ibovespa estendeu pelo terceiro dia a série de perdas, acentuando queda após as 16h. No mês, passa agora ao negativo, cedendo 0,37% no período - no ano, avança 6,59%.

O desempenho de Petrobras, com ON em alta de 2,70% e a PN, de 2,58%, era o contraponto ao dia negativo para as ações dos grandes bancos, com perdas que chegaram a 2,45% para Itaú. A acentuação da queda na B3 no fim da tarde coincidiu com menor fôlego no setor de mineração, com Vale em alta de 0,08% e CSN, de 0,41%, enquanto Usiminas caiu 1,83% e Gerdau, 1,17%. Já Americanas cedeu 6,61%, após as operações da empresa terem sido suspensas no último domingo devido a um ataque hacker.

Além do baixo volume de negócios no Ibovespa, a atenção sobre Brasília para questões com peso sobre as contas públicas e os preços dos combustíveis também pesou. Os dois projetos de lei relacionados aos combustíveis entraram na pauta do Senado desta quarta-feira, 23, no plenário, mas não há acordo de líderes para aprovação, de acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast. Por isso, a votação do pacote proposto pelo Senado para reduzir o preço dos combustíveis no País pode ser adiada para março.

"A preocupação é o fiscal, então, a depender de qual vai ser a decisão sobre a desoneração do combustível, pode impactar a arrecadação fiscal e trazer mais uma pressão negativa para as contas públicas", observa Pietra Guerra, especialista de ações da Clear Corretora. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL, AMÉLIA ALVES E MAIARA SANTIAGO

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