Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Edu Andrade/Ministério da Economia
Edu Andrade/Ministério da Economia

Bolsa fecha em alta apesar do cenário político brasileiro; dólar sobe 0,4%

Mercado ainda segue com atenção os desdobramentos da pequena reforma ministerial promovida pelo governo, que resultou na criação do Ministério do Emprego e Previdência

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2021 | 15h10
Atualizado 22 de julho de 2021 | 18h44

O bom humor do exterior, apesar dos ganhos contidos de Nova York, ajudaram a Bolsa brasileira (B3) a se firmar em terreno positivo nesta quinta-feira, 22, diante da cautela com o cenário político brasileiro após o anúncio da pequena reforma ministerial do governo. Hoje, o principal índice acionário do País fechou em alta de 0,17%, aos 126.146,66 pontos . No câmbio, também prevaleceu o viés negativo para o real ante o dólar, com a moeda americana avançando 0,41%, cotada a R$ 5,2130.

Recentemente, no Brasil, a incerteza tem derivado até mais da política, estrito senso, do que da recuperação econômica, em andamento - mas, por enquanto, a atitude tem sido mais de observação do que de precificação. O mercado segue com atenção os desdobramentos em torno da reforma ministerial, em que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), cacique do Centrão, emerge agora, à frente da Casa Civil, como interlocutor entre o Palácio e o Congresso, em ministério considerado chave da Esplanada.

De partida para um recriado Ministério do Emprego e Previdência, desmembrado da Economia, Onyx Lorenzoni abre espaço para o general reformado Luiz Eduardo Ramos, até então na Casa Civil, continuar no governo, na Secretaria-Geral da Presidência.

Apesar dos elogios públicos, hoje, do ministro Paulo Guedes (Economia) tanto a Onyx como a Nogueira, o mercado está atento à ascensão, no Planalto, do bloco de apoio parlamentar, pelo que significará em avanço na agenda de interesse dos investidores, como reformas e privatização, após o fim do recesso, em agosto, bem como por eventual custo político - na forma de gastos públicos, em momento no qual a arrecadação federal tem surpreendido positivamente, deixando para trás preocupações que prevaleciam nos primeiros meses do ano sobre a situação fiscal.

No exterior, com ganhos limitados a 0,36% para o Nasdaq no fechamento desta quinta-feira, os índices de Nova York se equilibraram entre a safra positiva de balanços trimestrais e dados econômicos que "não inspiram muito otimismo sobre a economia", como observa em nota Edward Moya, analista da OANDA nos Estados Unidos. Segundo ele, as "ações cíclicas" tiveram desempenho inferior na sessão, devido à "suavidade dos dados econômicos de hoje, as dificuldades na aceleração da conta de gastos em infraestrutura de Biden, e realização (de lucros)", com o mercado ainda à espera de sinais mais claros de que não haverá aperto prematuro na política monetária.

Por outro lado, a manutenção da orientação na zona do euro, com a decisão e os comentários do Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira, trouxeram algum alívio, em semana que havia sido iniciada com retomada de temores sobre eventuais efeitos da variante Delta do coronavírus sobre a retomada econômica global. "O mercado local tem estado voltado para o internacional, acompanhando o que acontece lá fora. Hoje, contribuiu a decisão, a comunicação do BCE: o cenário ainda é de estímulos monetários e fiscais", diz Alexandre Brito, sócio da Finacap Investimentos.

"Em julho, especialmente nos últimos dias, temos visto saída de recursos estrangeiros da B3 - que haviam sido, como de costume, fundamentais para a mais recente renovação de topo, no início de junho. Mas, mesmo com esta saída de recursos estrangeiros, o investidor doméstico, principalmente o institucional, tem segurado o Ibovespa, comprando", acrescenta Brito. "Temos um cenário ainda de retomada econômica para o segundo semestre, mantida a vacinação. Não vejo o mercado colocando preço no que chega da política: em algum momento, vai começar a olhar para 2022, e o governo tem buscado formar um capital político pensando nisso."

"O Ibovespa trabalhou hoje na região dos 126 mil pontos, após ter chegado a ficar abaixo dos 125 mil na semana - o dólar, por outro lado, tem mostrado alta no curto prazo, agora negociado na casa de R$ 5,20. Nos Estados Unidos, houve aumento nos pedidos de auxílio-desemprego na semana até 17 de julho, o que nos mostra a necessidade, ainda, de um certo grau de estímulos na maior economia do mundo", diz Flávio de Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos.

Entre as ações, Petrobrás terminou sem sinal único, com ON em alta de 0,14% e a PN em queda de 0,22%, apesar do avanço do petróleo no exterior. Entre as siderúrgicas, Usiminas subiu 1,22% e Gerdau PN, 0,86%, apesar da queda de 5,66% na cotação do minério de ferro na China. A Vale também fechou em alta de 0,26%. Na semana, com uma perda e três ganhos seguidos, o Ibovespa acumula agora pequeno avanço de 0,15%, limitando a baixa do mês a 0,52% - em 2021, sobe 5,99%.

Câmbio

O noticiário político doméstico carregado, em meio à ampliação do espaço do Centrão no governo, e o ambiente externo menos propício ao risco fizeram o dólar interromper a sequência de dois pregões de queda para fechar em alta nesta quarta, com investidores recompondo posições defensivas. Na máxima, o dólar bateu em R$ 5,2242 - na semana, acumula valorizaçãoi de de 1,74% e de 4,82% em julho. 

Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, após uma trégua com o recesso parlamentar, o noticiário em Brasília voltou a contaminar a formação da taxa de câmbio. "Quando o dólar tenta dar uma melhorada, aparecem novos fatos que geram instabilidade. Agora existe essa percepção de que o presidente está fragilizado e busca uma recomposição com o Centrão", afirma Galhardo. "Isso faz o mercado ficar muito arisco e buscar proteção no dólar enquanto não existe uma clareza do que vai acontecer".

Pela manhã, o dólar até chegou a operar em queda e descer até a mínima de R$ 5,1694, em meio a muita volatilidade vinda do exterior, enquanto investidores absorviam dados ruins da economia americana e a política monetária da Europa.  Lá fora, o DXY - que mede a variação da moeda americana em relação a seis divisas fortes - chacoalhou bastante, mas passou a trabalhar em alta ao longo da tarde. Em relação a divisas emergentes, o desempenho do dólar foi misto, com leve baixa em relação ao peso mexicano e alta firme ante o rand sul-africano após o banco central do país manter a taxa básica de juros em 3,5% ao ano.

Para Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest, escritório plugado ao BTG Pactual, a despeito da alta acima do esperado dos pedidos de auxílio-desemprego dos Estados Unidos, o mercado segue muito assustado com a inflação e a possível reação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). "Temos a safra de balanço nos EUA agora e, em todos os comentários de resultados de instituições financeiras, aparece essa preocupação com a inflação", diz Friedrich, que vê acredita em dólar na casa de R$ 5,30 no curto prazo.  0,17%, a 126.146,66 pontos. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.