Mandel Ngan/ AFP
Mandel Ngan/ AFP

Dólar fecha a R$ 4,90, em queda pelo quarto pregão seguido; Bolsa sobe 0,8%

Ativos foram favorecidos pelo anúncio do pacote de infraestrutura prometido por Joe Biden, com verba inicial de US$ 1,2 trilhão; política monetária dos EUA também ficou no radar

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 15h47
Atualizado 25 de junho de 2021 | 12h30

O dólar fechou em queda pelo quarto pregão seguido, em baixa de 1,17%, cotado a R$ 4,9094 - no menor nível desde 10 de junho de 2020 -, nesta quinta-feira, 24. Esta é também a terceira vez consecutiva que a moeda encerra abaixo de R$ 5. Já a Bolsa brasileira (B3) registrou ganho de 0,85%, aos 129.513,23 pontos, apoiada no bom humor do mercado de Nova York, que reagiu hoje ao pronunciamento do presidente americano, Joe Biden, sobre o acordo bipartidário que prevê investimentos em infraestrutura.

De acordo com o comunicado da Casa Branca, o pacote com apoio bilateral é de US$ 1,2 trilhão. Durante entrevista coletiva, Biden admitiu que conseguiu apoio da oposição republicana para apenas parte de sua agenda nessa frente, mas disse que pretende aprovar o pacote e tentar unir seu Partido Democrata para garantir também outros pontos, como mais investimentos no setor de educação.

O presidente dos Estados Unidos elogiou o papel que a iniciativa pode ter na geração de empregos e também para aumentar a competitividade do país. Segundo ele, autocracias, como a Rússia ou a China, têm realizado grandes investimentos, portanto as democracias precisam ser capazes de competir nessa frente. A notícia favoreceu ainda mais o dólar que já vinha em queda desde o começo do pregão. Durante o anúncio, ele foi de R$ 4,91 para R$ 4,90. A moeda para julho cedeu 1,08%, a R$ 4,9170.

Além do cenário externo favorável, operadores notaram ainda sinais de desmonte de posições de investidores estrangeiros contra o real (que ganham com a alta do dólar), em meio à perspectiva de continuidade de alta da Selic e à revisão para cima das expectativas para o crescimento da economia, reiteradas pela divulgação hoje do Relatório Trimestre de Inflação (RTI). O Banco Central elevou a projeção para o PIB neste ano de 3,6% para 4,6% e adiantou que antevê uma nova alta de 0,75 ponto porcentual da Selic em agosto, sem fechar as portas, porém, para um aperto mais forte.

Com a normalização da política monetária e o fluxo contínuo de dólar - via balança comercial, pela alta das commodities, e captações externas -, não haveria motivos para manter as apostas contra o real, avalia Sergio Zanini, sócio e gestor da Galapagos Capital. Ele acredita que o dólar deve seguir em queda nas próximas semanas e meses. "Com o patamar de juro real mais elevado, é caro ficar vendido em real. Não me surpreenderia em ver o dólar a R$ 4 no fim do ano ou no começo do ano que vem".

Economistas do Instituto Internacional de Finanças (IFF) afirmaram hoje, em relatório, que o valor justo do dólar seria de R$ 4,50, dados os fundamentos das contas externas do país, com os superávits comerciais recordes, perto de 2% do PIB. Além disso, com a alta da Selic, o Brasil deve atrair capital de curto prazo, o chamado "carry trade", quando investidores tomam recursos em países de juros baixos para aplicar em outros de taxa mais alta.

O Wells Fargo, quarto maior banco americano dos EUA, colocou o real no topo das recomendações em moedas emergentes, ao lado do rublo da Rússia e do peso mexicano. No entanto, o movimento de apreciação do real pode sofrer solavancos em razão das dúvidas sobre o início da alta de juros nos Estados Unidos, em meio a temores com a aceleração inflacionária. Declarações mais duras de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ao longo da tarde, contudo, não abalaram o apetite pela moeda brasileira, mas ficaram no radar.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse que o mercado "precisa saber" que um cenário de inflação "mais persistente" pode acontecer. Além dele, o presidente da distrital do Fed de Dallas, Robert Kaplan, também voltou a defender que a autoridade monetária deve ajustar o programa de compra de títulos públicos "mais cedo do que mais tarde'. Já o presidente do Fed de Nova York, John Williams, reiterou que a inflação deve moderar a partir de 2022, à medida que a demanda no país se normalize e os gargalos na cadeia de suprimentos sejam solucionados.

Bolsa

O desempenho positivo do mercado de Nova York, com S&P 500 e Nasdaq batendo recordes de fechamento, somado ao novo recuro do dólar, ajudou o Ibovespa hoje.  Na semana, o índice avança 0,86%, elevando os ganhos do mês a 2,61% e os do ano a 8,82%.  Em junho, conforme dados referentes até o dia 22 divulgados hoje pela B3, os investimentos estrangeiros somam R$ 14,222 bilhões, em termos líquidos. No acumulado do ano, o fluxo de ingresso líquido chega a R$ 45,602 bilhões.

"Há uma força estrangeira compradora, os estrangeiros seguem comprando Brasil e junho já é o terceiro mês de aportes seguidos", diz Flávio de Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos. "No campo doméstico, o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse ser possível aprovar uma reforma administrativa até setembro, notícia bem positiva para a parte fiscal", acrescenta.

Entre os ganhos, destaque para JHSF, com alta de 6,23%, à frente de Magazine Luiza, de 5,20% e Lojas Americanas, de 4,48%. No lado oposto, Banco Inter cedeu 3,45%, Locaweb, 2,45% e Eletrobrás ON, 1,31%. As ações de maior peso no índice tiveram desempenho majoritariamente positivo, com Petrobrás PN e ON em alta respectivamente de 1,19% e 1,53%, Bradesco PN, de 0,74%, e ganhos de até 3,31% no segmento de siderurgia para CSN ON - Vale ON virou no fim para fechar em leve alta de 0,14%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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