Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

BC americano reduz fôlego externo, mas PEC dos Precatórios e Campos Neto garantem melhora na B3

Federal Reserve sinalizou a crescente preocupação na cúpula do BC americano quanto à escalada da inflação, que fortalece o coro em defesa de um ritmo maior de redução de compras de ativos

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2021 | 16h51
Atualizado 24 de novembro de 2021 | 18h48

Mesmo com pouco fôlego nos índices de ações no exterior, e com petróleo embicando para o negativo, a Bolsa conseguiu emendar nesta quarta-feira, 24, segundo dia de recuperação parcial, chegando a testar a linha dos 105 mil pontos no melhor momento da sessão. Ao fim, com desempenho positivo das ações de commodities, siderurgia e bancos, a referência da B3 mostrava alta de 0,83%, aos 104.514,19 pontos, entre mínima de 102.464,29 e máxima de 105.041,16 pontos. O nível de fechamento foi o melhor desde o dia 12, com o índice tendo permanecido na faixa de 102 a 103 mil pontos nos últimos cinco encerramentos.

No exterior, a ata referente à mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizou a crescente preocupação na cúpula do BC americano quanto à escalada da inflação, que fortalece o coro em defesa de um ritmo maior de redução de compras de ativos. 

O argumento por um tapering mais acelerado é sustentado ainda pela força da recuperação da maior economia do planeta, como indicado por firmes dados de consumo informados mais cedo. Nesse cenário, o dólar ganhou força ante rivais e as bolsas de Nova York ficaram mistas. O recuo dos juros longos dos Treasuries, em ajuste após duas sessões de fortes ganhos, forneceu alívio às ações de tecnologia e interrompeu a rotação que vinha beneficiando os papéis de bancos. O petróleo, por sua vez, teve sessão volátil, mas encerrou com moderada perda, de olho no aumento dos estoques nos EUA e em liberação de reservas estratégicas de países.

De acordo com a ata, no encontro realizado entre 2 e 3 de novembro, "muitos" participantes admitiram que a escalada inflacionária nos EUA poderá se mostrar mais persistente do que o previsto anteriormente. Gargalos na cadeia produtiva e valorização dos preços de energia seguem apontados como principais responsáveis pelo movimento, mas alguns dirigentes já começam a reconhecer a possibilidade de aumento mais duradouro dos salários, para fazer frente à inflação. 

No Brasil, contudo, o efeito da ata foi apenas pontual, uma vez que a direção dos mercados foi definida mais cedo, tanto pelas notícias sobre a PEC dos Precatórios quanto por declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

Nesse último caso, o impacto ocorreu principalmente nos juros futuros, com queda mais pronunciada entre os vencimentos curtos. A fala do dirigente do BC foi considerada dovish (mais amena em relação às taxas de juros) nos aspectos de atividade e política monetária e fiscal, reforçando a ideia de manutenção do ritmo de alta da Selic em 1,5 ponto porcentual um dia antes do IPCA-15 de novembro. No mais, apesar de a votação da PEC dos Precatórios na CCJ do Senado ter sido adiada para a próxima semana, a percepção é de que as alterações no texto feitas pelo relator da matéria, Fernando Bezerra, irão viabilizar a aprovação.

O dólar à vista terminou em queda de 0,25%, cotado em R$ R$ 5,5948. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.