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Daniel Teixeira/Estadão
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Em reação à reforma tributária, Bolsa recua 1,7% e dólar sobe a R$ 4,93

Proposta do governo de tributar dividendos e a alteração na tributação de aplicações em renda fixa e variável não agradaram ao mercado; além disso, investidor monitorou a CPI da Covid

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 15h17
Atualizado 25 de junho de 2021 | 18h17

A Bolsa brasileira (B3) fechou com queda forte de 1,74% nesta sexta-feira, 25, aos 127.255,61 pontos, após a entrega da parte sobre Imposto de Renda da reforma tributária pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao presidente da Câmara, Arthur Lira. No câmbio, o dólar também foi afetado pela proposta e subiu 0,67%, cotado a R$ 4,9377. Além disso, os desdobramentos da CPI da Covid, que apura um suposto superfaturamento na compra de vacinas, também foram monitorados.

A queda de hoje da Bolsa foi a maior desde o recuo de 2,65% da sessão de 12 de maio. Com o resultado, o Ibovespa acumulou a terceira perda semanal consecutiva, desta vez de 0,90%. Na mínima, o índice caiu aos 126.696,64 pontos, baixa de 2,18%, menor nível desde 1º de junho. No mês, a Bolsa ainda sobe 0,82% e, no ano, 6,92%.

A proposta de tributação lançada pelo governo, apesar da retórica de Guedes de "ganha, ganha" com base na perspectiva de crescimento econômico, caiu mal no mercado, apesar da sessão moderadamente positiva em Nova York, com destaque para o Dow Jones e S&P 500, que bateu novo recorde de fechamento.

"O governo entregou a proposta da reforma tributária prevendo a tributação de dividendos distribuídos em 20%, com uma isenção para lucros de até R$ 20 mil por mês de micro e pequenas empresas, algo que não era esperado, pois acreditava-se que incluiria pessoa física", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. "Além dos dividendos, foi confirmado também o fim da dedutibilidade de JCP (juros sobre capital próprio), que era contabilizado como despesa dedutível para o efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL e, como efeito fiscal, gerava benefício para empresa e rendimento aos acionistas", acrescenta.

"Em termos práticos, as duas medidas acabam impactando o mercado de renda variável, uma vez que haverá a diminuição, de fato, do valor recebido em proventos pelos acionistas - ou seja, redução do dividendo pago que, não podemos esquecer, rivaliza com uma renda fixa, que ganha ainda mais atratividade com o ritmo de alta da Selic", conclui Ribeiro.

Além disso, Guedes disse estar de acordo com os que defendem a necessidade de se implementar um programa de renda básica no País. A questão agora, segundo o ministro, é encontrar o dinheiro para financiar o programa. "Hoje não tem dinheiro para (renda básica) de R$ 600", reiterou. "Estamos de acordo que tem que ter uma renda básica. Agora é encontrar o dinheiro", acrescentou.

"O mercado local realmente não recebeu bem as novidades sobre tributos. Passou a impressão de aumento de carga, com o governo, no cobertor curto, precisando encontrar recursos", diz Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch.

"A simplificação de alíquotas e a correção da tabela do imposto de renda são vistas com bons olhos, mas, de forma geral, como toda reforma, os detalhes na tramitação são temerosos, será preciso acompanhar ao longo da semana." diz Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos. Além disso, um movimento de correção também atingiu o índice. "À tarde, o Ibovespa aprofundou a queda, realizando lucros, em prosseguimento ao movimento de acomodação que se prolongou nas últimas sessões, com volume hoje modesto", aponta.

A queda do pregão de hoje foi bem disseminada entre as ações de grande peso da Bolsa. Petrobrás PN e ON cederam 1,85% e 1,61% cada, enquanto Itaú PN caiu 3,18% e Bradesco PN perdeu 3,12%. Na contramão, Vale ON subiu 1,23%. "Mesmo com Vale salvando o Ibovespa da hecatombe, consumo, setor financeiro e imobiliário apanharam muito, com os investidores digerindo a proposta tributária, que gerou mal-estar, especialmente na tributação de dividendos e na alteração de tributação para fundos imobiliários", acrescenta Simone.

Câmbio

A moeda foi pressionada desde a abertura dos negócios pela entrega da proposta de reforma tributária. Na máxima, o dólar foi a R$ 4,9742, alta de 1,41%. O pico se deu em meio ao depoimento do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, servidor do Ministério da Saúde, na CPI, que investiga suposto superfaturamento em proposta de compra da vacina indiana Covaxin pelo governo Bolsonaro. Segundo operadores, os agentes correm para o dólar em uma postura mais defensiva, diante de eventuais desdobramentos políticos das falas dos irmãos Miranda.

"Ninguém vai passar o fim de semana vendido em dólar [apostando na queda da moeda americana] sem saber qual vai ser o impacto das declarações dele [do deputado]", diz um operador de uma corretora local, ressaltando que era natural haver uma realização de lucros após quedas seguidas da moeda americana. A moeda para julho fechou em alta de 0,39%, a R$ 4,9360.

Pela manhã, o dólar chegou a romper o piso de R$ 4,90 ao descer até mínima de R$ 4,8937, acompanhando a tendência global de perda em relação a moedas de emergentes, após a divulgação de dados da inflação dos Estados Unidos em linha com o esperado. O DXY, índice que mede a força do dólar ante outras moedas fortes, como euro e libra, fechou em alta de 0,04%, mas caiu 0,41% na semana.

Para a economista Fernanda Consorte, do Banco Ourinvest, o mercado estava em uma "onda muito otimista" com o real, por conta da melhora das estimativas de crescimento e da expectativa de novas altas da taxa Selic. "Não vejo justificativa para dólar abaixo de R$ 5, porque não se vê um fluxo tão forte de recursos para o Brasil. Era natural que qualquer notícia desagradável provocasse uma realização de lucros mais forte", diz Fernanda, ressaltando que a CPI da Covid-19 traz uma antecipação do calendário eleitoral, o que tende a acentuar a volatilidade no câmbio. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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