Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Bolsa sobe aos 126 mil pontos e dólar cai a R$ 5,17 com ajuda do exterior

Em um dia com agenda doméstica, inclusive política, relativamente esvaziada, mercado brasileiro se apoiou em Nova York para recuperar perdas da semana passada

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 14h35
Atualizado 26 de julho de 2021 | 18h20

Tentando recuperar as perdas da última semana, a Bolsa brasileira (B3) fechou com alta de 0,76%, aos 126.003,86 pontos nesta segunda-feira, 23. Com os protestos convocados por caminhoneiros se mostrando um não evento, e uma agenda doméstica, inclusive política, relativamente esvaziada, o Ibovespa se reconectou a Nova York nesta abertura de semana, hoje com recorde de fechamento. No câmbio, o dólar teve recuo de 0,70%, cotado a R$ 5,1742.

Os mercados da China tiveram uma segunda difícil, com saída de recursos e queda nos índices de ações, após sinais de endurecimento do governo com relação a empresas de educação e tecnologia. Aqui, o mercado já precifica Selic a 7% no fechamento de 2021, o que, combinado ao fluxo associado a operações de IPO em andamento, como as de TradersClub e Raízen, tende a contribuir para recuperação do real, entre as moedas emergentes mais punidas desde a primeira onda de covid, bem como do Ibovespa, observa analistas do B.Side Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual.

"A semana tem a decisão de política monetária do Federal Reserve [Fed, o banco central americano], na quarta-feira, e, na sexta, o PIB dos Estados Unidos. Aqui a agenda de balanços tem empresas como Vale, Usiminas e CSN. A depender do que vier, há muito fator para fazer preço na semana, começando por essa correção natural que tivemos hoje", acrescenta um analista. "A perspectiva ainda é positiva, com sistema hospitalar descomprimido, refletindo o progresso da vacinação, sem que a ameaça de nova onda com variante Delta tenha se consumado até agora."

"Hoje, Tim e EDP divulgam balanços depois do fechamento. A Hypera apresentou sólidos resultados no segundo trimestre, com receita líquida 43,5% superior à do mesmo período de 2020. A semana deve ser bastante agitada, com Fed e resultados trimestrais, lá fora e aqui", diz Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos. Com reiteração da recomendação de compra, o BTG Pactual elevou o preço-alvo de Hypera de R$ 42 para R$ 45 após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2021. Nesta segunda-feira, a ação ON virou perto do fim da sessão e fechou em leve baixa de 0,06%, a R$ 36,25.

Na ponta do Ibovespa nesta segunda-feira, destaque para Usiminas, com alta de 3,56% e CSN, de 3,54%, um pouco à frente de Embraer, com ganho de 3,51% e de Bradespar, com 3,51%). Na face oposta, Americanas ON caiu 5,18% e Eztec, 2,59%. Entre as ações de maior peso, desempenho majoritariamente positivo, em especial para Vale ON, em alta de 2,17%, Petrobras PN, de 2,73%, e Santander, de 2,25%, liderando os ganhos do dia entre os grandes bancos.

"Com o auxílio do setor de commodities, o Ibovespa começou a semana em alta e se sustentou acima de 125 mil pontos, mas para ganhar força de compra no curtíssimo prazo será preciso romper 126.500 pontos, tendo como alvo inicial o topo intermediário na faixa de 128 mil pontos",diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. No mês, o índice da B3 ainda cede 0,63%, limitando os ganhos do ano a 5,87%.

Assim, o índice da B3 tenta recuperar parte do terreno perdido na semana passada, quando se desconectou dos ganhos em Wall Street, com uma combinação doméstica de inflação acima do esperado pelo IPCA-15 - que reforça a expectativa por Selic mais alta no fim do ano - e ruídos políticos.

Câmbio

Em uma sessão de liquidez reduzida, o dólar chacoalhou pela manhã, mas acabou se firmando em terreno negativo ao longo da tarde e encerrou o pregão em queda, refletindo em grande parte o enfraquecimento global da moeda americana. Operadores também notaram fluxo de entrada para ofertas de ações na B3 e alinhamento de posições diante do aumento das expectativas de uma elevação mais intensa e pronunciada da Selic.

O dólar até ensaiou uma alta nas primeiras horas de negócio e correu até a máxima de R$ 5,3101, na esteira de certa aversão externa ao risco provocada por medidas chinesas de regulação do setor de tecnologia e educação, mas perdeu fôlego assim que a moeda americana começou a ceder em relação ao euro e a divisas emergentes pares do real, como o peso mexicano. Na mínima, a moeda bateu em R$ 5,1527. Em julho, o dólar ainda acumula valorização de 4,04%. O dólar para agosto caiu 0,47%, a R$ 5,1790.

A despeito da perda de fôlego do dólar nesta segunda-feira, analistas não veem espaço para uma rodada mais forte de apreciação do real nos próximos dias, que podem ser marcados por solavancos mais fortes no mercado de câmbio - por causa da agenda externa carregada e pela disputa em torno da formação da taxa do fim do mês, na sexta-feira.

Para Alexandre Netto, head de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, a despeito de uma Selic mais elevada, existe um conjunto de riscos que apontam para uma tendência de depreciação do real no curto e médio prazo. "Existe dúvida até onde o Banco Central pode apertar a política monetária sem prejudicar tanto a atividade, que ainda está se recuperando", diz Netto, que também chama a atenção para o risco político.

"A eleição é o ano que vem, mas as conversas já começaram. Os dois candidatos principais, o presidente (Jair) Bolsonaro e o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva), estão com uma postura populista, e o investidor estrangeiro não gosta disso", acrescenta, lembrando que ainda pairam dúvidas sobre o desenlace da reforma do Imposto de Renda, o que assusta o mercado. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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