Brendan McDermid/Reuters - 26/1/2022
Brendan McDermid/Reuters - 26/1/2022

Bolsa sobe 1,2%, aos 112,6 mil pontos, melhor nível desde 18 de outubro; dólar cai

Recuo dos índices americanos, com queda de até 1,4% para o Nasdaq, afetou parcialmente o desempenho do Ibovespa, que subiu aos 113 mil pontos na máxima do dia

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2022 | 16h40
Atualizado 27 de janeiro de 2022 | 19h08

O recuo da Bolsa de Nova York, com queda de até 1,40% para o Nasdaq nesta quinta-feira, 27, afetou parcialmente o desempenho da Bolsa brasileira (B3), que ainda assim fechou com alta 1,19%, aos 112.611,65 pontos - melhor nível desde 18 de outubro. Já o dólar, que chegou a cair a R$ 5,40, encerrou em queda de 0,32%, a R$ 5,4238.

Hoje, o Ibovespa emendou a terceira alta seguida. Na máxima do dia, subiu 1,59%, aos 113.057,03 pontos - melhor nível intradia desde 19 de outubro. O ganho acumulado na semana está em 3,37% e a retomada no mês chega a 7,43%, com o índice parecendo a caminho de seu melhor desempenho desde dezembro de 2020.

Enquanto os principais índices europeus encerraram o dia em terreno positivo, com ganhos de até 1,13% para Londres, as referências de Nova York continuam a refletir um grau maior de cautela sobre a economia americana, no momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem emitido sinais claros quanto a uma orientação mais restritiva para a política monetária, com provável aumento de juros em março.

mercado absorveu hoje a alta de 5,7% do PIB dos EUA em 2021 - o maior ritmo de crescimento desde 1984. Isso deve levar parte dos investidores a ousar pôr suas fichas na possibilidade de que o Fed promova uma elevação inicial de 0,50 ponto porcentual.

“O tom do comitê de política monetária do Fed, ontem, foi mais duro e contracionista, com sinalização de aumento da taxa de juros no curto prazo, após os Estados Unidos terem encerrado 2021 com inflação a 7%. É o grande dilema: aumento de juros vai rebater na atividade econômica; como combater a inflação sem obstruir muito o nível de atividade?”, observa Túlio Nunes, especialista de finanças da Toro Investimentos.

“Os investidores ainda (estão) avaliando uma série de incertezas que permaneceram após os anúncios do Federal Reserve na tarde de ontem”, aponta em nota a Guide Investimentos, destacando que o Fed abordou “os temas de alta de juros e redução do balanço, mas trouxe poucos detalhes”.

"Elevar os juros não chega a ser novidade. Era pra ser neutra a reação do mercado, mas ficou em aberto a sinalização de quantos aumentos de juros haverá este ano e quando o balanço patrimonial do Fed vai começar a ser reduzido, balanço que cresceu bastante durante a pandemia para estimular a economia - e o mercado fica agora com medo, com relação à pressão vendedora de alguns ativos", diz Natalia Monaco, estrategista da Veedha Investimentos.

Na B3, os ganhos que se mostravam bem distribuídos por setores e empresas de peso até o começo da tarde chegaram a dar lugar a desempenho misto, embora com alguma recuperação na reta final. No encerramento, o desempenho era positivo para siderurgia, à exceção de Usiminas, em queda de 0,49%. Entre as grandes empresas, Petrobras ON e PN subiram 0,38% e 0,03% cada, enquanro Vale subiu 0,23%, Santander, 1,56%, e Banco do Brasil, 1,38%

Câmbio

A piora do apetite por risco no exterior ao longo da tarde, com queda das bolsas em Nova York e aceleração dos ganhos da moeda americana frente a divisas fortes e emergentes, acabou respingando no mercado doméstico de câmbio. Depois de furar o piso de R$ 5,40 pela manhã e tocar em R$ 5,3541, menor valor intradia desde 1° de outubro, o dólar à vista diminuiu bastante o ritmo de queda. A moeda tem perda acumulada em janeiro a 2,73%.

Apesar da perda de fôlego no fim do dia, o real foi uma das duas únicas moedas emergentes que se apreciaram na sessão desta quinta. A outra foi o rublo, beneficiado pelo arrefecimento das tensões geopolíticas envolvendo a Ucrânia, após autoridades da Rússia se mostrarem abertas a diálogo com os Estados Unidos.

A expectativa de um aumento maior dos juros resultou na apreciação do dólar frente a divisas fortes, sobretudo o euro - o que levou o índice DXY a uma escalada até o patamar dos 97,200 pontos. Além do real e do rublo, outras moedas emergentes até esboçaram uma alta pela manhã, mas acabaram sucumbindo ao longo da tarde.

Para o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, o real destoa, por ora, do fortalecimento global do dólar porque, além dos juros locais elevados, estava muito depreciado em relação a outras divisas emergentes. "Não é uma questão de fundamentos. Vamos ver até quando essa posição do estrangeiro em Brasil vai se manter e de certa forma isolar o real desse dólar mais forte no mundo", diz. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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