Paul Yeung/Bloomberg via The Washington Post
Paul Yeung/Bloomberg via The Washington Post

Dólar recua 0,6%, a R$ 5,39, no menor valor desde 1º de outubro; Bolsa cai

Moeda americana fecha a sua terceira semana consecutiva de desvalorização, com recuo de 1,2% em cinco dias; queda nas ações da Petrobras afetou o Ibovespa

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2022 | 17h14
Atualizado 28 de janeiro de 2022 | 19h01

Apesar de subir ante a maioria das moedas emergentes, com exceção de Turquia e Rússia, o dólar fechou nesta sexta-feira, 28, com queda de 0,62%, cotado a R$ 5,3900, no menor valor desde 1º de outubro de 2021. Já a Bolsa brasileira (B3) contrariou o bom humor de Nova York, com alta de 3,1% para o Nasdaq, e também caiu 0,62%, aos 111.910,10 pontos.

Afora uma pequena alta na abertura dos negócios, a moeda trabalhou em baixa durante todo o dia, com relatos de entrada de fluxo de estrangeiros e de desmonte de posições cambiais defensivas no mercado futuro (que apostam na alta do dólar). Além disso, a recuperação de Wall Street após uma semana cambaleante, diante da expectativa pela elevação dos juros dos Estados Unidos, abriu caminho, abriu caminho para a venda da moeda americana.

Com máxima a R$ 5,4329 e mínima a R$ 5,3769, o dólar fecha a sua terceira semana consecutiva de desvalorização com recuo de 1,2% em cinco dias. No mês, a moeda cede 3,33%. Uma vez mais, o real se destacou no cenário externo, figurando ao lado da lira turca e do rublo (que experimentam recuperações técnicas), na lista das principais divisas emergentes a se fortalecerem contra o dólar. Pares tradicionais da moeda brasileira, como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano apanharam.

A avaliação predominante para o avanço do real nos últimos dias é a de que os ativos domésticos - que estariam muito depreciados - ganharam espaço no portfólio dos estrangeiros, em meio à alta das commodities e a um movimento de rotação de carteiras induzido pelo início do processo de normalização da política monetária americana. Hoje, o minério de ferro negociado na China fechou em alta de 5,59%, atingindo o maior nível desde 31 de agosto de 2021.

Operadores também relatam que a perspectiva de que a taxa Selic atinja 12% no fim do atual ciclo de aperto monetário, reforçada nesta semana com a divulgação do IPCA-15 de janeiro, contribui para o desempenho do real ao aumentar a atratividade do "carry trade" (operação que busca explorar o diferencial de juros entre países).

No exterior, o índice DXY - que mede a força do dólar ante moedas fortes, como euro, libra e iene -, caiu 0,02%. Na semana, o DXY acumulou alta de 1,7%. Hoje, a queda foi atribuía ao índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA, que subiu 0,4% em dezembro. O índice é um dos mais utilizados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), para medir a inflação.

As apostas para um aumento de 50 pontos-base da taxa básica de juros pelo Fed em março caíram de 16,3% para a casa de 8%, segundo levantamento do CME Group. Mesmo assim, ainda se espera uma sequência de pelo menos quatro elevações da taxa ao longo deste ano.

O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, observa que, com a mudança nas expectativas para a política monetária nos EUA, investidores passaram a garimpar oportunidades em mercados que estavam muito descontados, caso do Brasil. "O real estava muito depreciado. Era difícil de entender aquela piora do começo de janeiro, com o dólar a R$ 5,60, R$ 5,70. Estamos vendo uma correção agora com fluxo", diz Lima, ressaltando que o fato de a moeda brasileira ter apanhando anteriormente mais que outras divisas emergentes ajuda a explicar o desempenho superior do real agora. 

Bolsa

O embate travado hoje entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre do Moraes, em torno da necessidade de o presidente depor à Polícia Federal, afetou o desempenho do Ibovespa, que realizou lucros e foi na contramão do bom humor de Nova York: hoje, o Dow Jones fechou em alta de 1,66%, enquanto S&P 500 subiu 2,44% e o Nasdaq, 3,13%. 

O não cumprimento da decisão de Moraes por Bolsonaro traz algum eco da escalada de tensão institucional que vigorou até o inflamado discurso presidencial do último 7 de setembro, quando o mandatário afirmou, na Avenida Paulista, que não mais atenderia a deliberações do ministro do STF. Ainda assim, o Ibovespa emendou sua terceira semana consecutiva de ganhos, com alta de 2,72%. No mês, o ganho é de 6,76%.

Nesta sexta-feira, “destaque negativo para as ações de varejo e tecnologia, que realizam parte dos lucros dos últimos pregões, e também para a queda das ações da Petrobras, pressionada pelas tensões geopolíticas entre Ucrânia e Rússia - o papel ON da petroleira cedeu 3,22% e o PN, 4,07%. Vale cedeu 0,98%, enquanto Bradesco e Itaú subiram 1,44% e 1,35% cada. No lado oposto, Magazine Luiza cedeu 7,06% e Natura, 6,48%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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