Eric Baradat/AFP
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Bolsa sobe mais de 1,3% e dólar cai a R$ 5,10 após decisão do Federal Reserve

Banco central americano manteve a política monetária dos Estados Unidos inalterada, enquanto o presidente da entidade, Jerome Powell, disse seguir comprometido com a estabilidade dos preços

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 14h19
Atualizado 28 de julho de 2021 | 18h29

Em linha com o esperado pelo mercado, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve inalterada a taxa dos Estados Unidos entre 0% e 0,25% ao ano. A decisão foi unânime e a reação do mercado, até o momento, positiva, à medida que os investidores monitoram a entrevista coletiva com o presidente da instituição, Jerome Powell. Nesse cenário, o dólar cedeu ante o real, em baixa de 1,31%, a R$ 5,1099. Já a Bolsa subiu 1,34%, aos 126.285,59 pontos.

A avaliação é a de que a manutenção por mais tempo de estímulos monetários nos Estados Unidos e o impacto, por ora, reduzido da cepa Delta sobre a recuperação da economia global podem aumentar o apetite por ativos de risco - o que favorece a Bolsa brasileira. O grande bode na sala ainda é a indefinição em torno da reforma do Imposto de Renda, que gera temores de remessas antecipadas de lucros e dividendos e inibe o investimento estrangeiro direto.

À espera do Fed, o real já se fortalecia pela manhã, com operadores relatando entrada de recursos externos - via captações externas e para ofertas de ações na B3 - e as projeções de Selic cada vez mais gorda, começando com uma alta de 1 ponto porcentual na semana que vem, para 5,25% ao ano. O Banco Fibra, por exemplo, passou a projetar taxa básica a 7,5% neste ano (nível considerado neutro pelo banco) e de 8,5% em 2022.

Hoje, a moeda americana fechou no menor valor desde 14 de julho. Na máxima, bateu em R$ 5,1925 e na mínima, de R$ 5,1059. A moeda para agosto caiu 1%, a R$ 5,1195. O real, que costuma apanhar mais em dias negativos no exterior, hoje liderou o ranking das valorizações entre moedas emergentes. O índice DXY - termômetro do comportamento do dólar frente a seis divisas fortes - virou de mão e passou a cair após fala de Powell.

Como esperado, o Fed manteve a taxa de juros entre 0% e 0,25% e a compra mensal de bônus (US$ 80 bilhões em Treasuries e US$ 40 bilhões em títulos imobiliários). Tanto no comunicado quanto na coletiva de Jerome Powell, presidente do Fed, repetiu-se a avaliação de que as pressões inflacionárias são transitórias e que o quadro para a economia americana, a despeito da recuperação, ainda é desafiador. Falta chão para que os níveis de atividade e emprego pré-pandemia sejam retomados e, até lá, o Fed vai continuar dando sustentação à economia.

Na coletiva, Powell afirmou que a alta atual dos preços "não deve deixar marca permanente no processo de inflação" e que não há decisão sobre o momento de início da redução de compra de ativos ('tapering'), ponto de divergência entre dirigentes do Fed. O presidente do Fed ressaltou também que a "economia americana ainda está longe de atingir as metas, em especial do lado do emprego, reforçando mais uma vez a necessidade da manutenção dos estímulos", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora

Para o head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, a ausência de alterações no discurso do Fed foi um "não evento" muito positivo e o real tende a ser beneficiado. "Com fluxo positivo e alta de 100 basis points da Selic em agosto, o dólar deve cair mais", diz Weigt, ressaltando que a moeda brasileira ainda está atrasada em relação a outras divisas emergentes e de exportadores de commodities, apesar do momento favorável dos termos de troca do país.

O head da mesa de câmbio e operações PJ da Wise Inestimentos, Gustavo Gomiero, vê um quadro benigno para a economia, com baixa letalidade da variação Delta, e ambiente político mais propício para aprovação de reformas, como a tributária e administrativa, na volta do recesso parlamentar. "A perspectiva é para estabilidade e até queda do dólar no curto prazo", afirma Gomeiro, ressaltando que o comunicado do Fed trouxe "alívio" para os investidores.

Bolsa

Com desempenho bem positivo nos segmentos de maior peso (commodities e bancos), em meio à temporada de resultados trimestrais, o Ibovespa alçou voo no meio da tarde, passando a renovar máximas do dia após a decisão de política monetária do Fed e durante os comentários pró-estímulos de Jerome Powell, presidente da instituição. Em Nova York, porém, o clima foi misto, com apenas o Nasdaq fechando em alta.

Após a preocupação nos últimos dias quanto a intervenção regulatória do governo chinês em setores como educação e tecnologia, houve melhora nos mercados da Ásia, depois da publicação de artigo em jornal estatal que ajudou a aliviar temores, contribuindo hoje, desde cedo, para o desempenho de emergentes como o Brasil", diz Scott Hodgson, gestor de renda variável na Galapagos Capital.

Entre as ações dos maiores bancos, os ganhos ficaram hoje entre 1,04% para a Unit do Santander e 3,25% para Itaú PN no fechamento - após resultados muito positivos para o Santander Brasil no segundo trimestre, que foram contrabalançados pela notícia de que o presidente, Sergio Rial, deixará o cargo no fim do ano. Na semana, o Ibovespa ganha 0,99%, limitando as perdas do mês

a 0,41% - no ano, avança 6,11%.

Além de bancos, dia também positivo para as ações de commodities, especialmente para Vale ON, em alta de 2,73%, com expectativa para o balanço da mineradora, após o encerramento de hoje. Na ponta do Ibovespa, Weg fechou hoje em alta de 8,17%, à frente da BRF, com 3,20%. Na face oposta, Natura cedeu 6,38%, CSN, 2,79%, e BTG Pactual, 2,05%. Petrobrás PN e ON fecharam o dia respectivamente em alta de 2,06% e 1,83%, acompanhando o bom humor do exterior. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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