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Marcos Santos/USP Imagens
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De olho no avanço da crise hídrica no País, Bolsa cai e dólar sobe 0,3%

Reajuste de 52% na tarifa de energia da bandeira vermelha 2 ofuscou a alta da arrecadação federal em maio e o arrefecimento do IGP-M em junho

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2021 | 14h48
Atualizado 29 de junho de 2021 | 18h26

Os ativos locais foram afetados nesta terça-feira, 29, pelos desdobramentos em torno da crise hídrica - especialmente a elevação das tarifas de energia -, em dia de divulgação do IGP-M de junho e do resultado positivo da arrecadação federal em maio. No exterior, o avanço da variante Delta do coronavírus ficou no radar. A Bolsa brasileira (B3) fechou hoje em queda de 0,08%, aos 127.327,44 pontos, enquanto o dólar subiu 0,28%, a R$ 4,9419.

Na máxima hoje, a moeda americana bateu em R$ 4,9705. A moeda para julho subiu 0,6%, a R$ 4,9560. A expectativa de fluxo contínuo de dólares pelos canais comercial e financeiro ao longo dos próximos meses impedem que o dólar alce voos maiores, a despeito de questões externas e domésticas que aumentam a percepção de risco.

Lá fora, pesam as preocupações globais com a variante Delta da covid (mais contagiosa) e as expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), com o mercado à espera de divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos na sexta-feira. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis rivais fortes, avançava 0,17%. O dólar subia em relação às divisas emergentes, com exceção dos pesos colombiano e mexicano.

Por aqui, prevaleceram sobre o humor doméstico os desdobramentos em torno da crise hídrica - especialmente a elevação da tarifa de energia, pressão extra sobre a inflação -, o que deixou em segundo plano as boas notícias, como o desempenho da arrecadação federal em maio, no maior nível para o mês na série histórica iniciada em 1995, o que ajuda a diminuir os temores com o cenário fiscal, e o arrefecimento do IGP-M em junho, a 0,60%, comparado a 4,10% em maio.

De manhã, a agência a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajuste de 52% na bandeira vermelha 2, mas com impactos limitados na inflação. Existe certo temor, porém, de que a crise hídrica se agrave, prejudicando a recuperação da economia, um dos motivos para o fortalecimento recente do real. 

"A novidade do dia ficou por conta da elevação em 52% da bandeira vermelha, o que deve forçar ainda mais o IPCA este ano e sacramentar o fechamento, em 2021, acima do teto da meta. Em vista da medida, cresce a expectativa de o Copom acelerar o processo de alta da Selic - e de até mesmo atingir o patamar de 7% ainda neste ano", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Após o anúncio do aumento, o mercado já passou a projetar IPCA em até 6,7% em 2021.

Além disso, investidores seguem atentos à investigação da CPI da Covid em torno do contrato para aquisição da vacina indiana Covaxin, que pode abalar ainda mais a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, e tentam mensurar as chances de aprovação da reforma tributária, com proposta de taxação de dividendos, além de monitorem indicadores.

"Temos empecilhos no Brasil que podem fazer com que a taxa de câmbio volte a depreciar: não só a pandemia como também a crise política e agora a hídrica", diz Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.

O economista-chefe do BNP Paribas do Brasil, Gustavo Arruda, afirmou hoje que vê espaço para mais apreciação do real e que trabalha com um dólar cotado a R$ 4,75 neste ano e R$ 4,60 em 2022. "Não quer dizer que não haverá volatilidade", disse Arruda, ressaltando que a proximidade do ano eleitoral tende a provocar oscilações mais fortes na taxa de câmbio.

Bolsa

Em meio a preocupações sobre a crise hídrica e ainda tentando assimilar a perspectiva de aumento de tributação, o Ibovespa caiu, apesar dos ganhos do mercado de Nova York, onde os índices bateram recordes. No mês, o índice acumula ganho de 0,88%, com avanço de 0,06% na semana - no ano, sobe 6,98%.

Nesta terça-feira, destaque para as ações de commodities, especialmente Vale ON, em alta de 1,73%, apesar do desempenho desfavorável dos preços do minério de ferro na China, em baixa de 2,88%. "Em meio a tanta incerteza na cena doméstica, vejo uma fuga do investidor para setores que operacionalmente têm perspectivas muito claras de desempenho e devem entregar

excelentes resultados no segundo trimestre. Por isso, temos nomes tradicionais, como Vale e Petrobrás, com performance mais sólida mesmo em dia mais fraco para o minério (no caso da primeira)", diz Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Petrobrás PN e ON fecharam, respectivamente, em alta de 0,45% e 1,37%, o que, ao lado de Vale, contribuiu para mitigar as perdas observadas no segmento de maior peso no índice, o de bancos, em queda nesta terça entre 0,60% para Santander e 0,99% para Itaú PN, ainda se ajustando às novidades tributárias propostas na última sexta-feira.

Na ponta do Ibovespa, destaque para Braskem, em alta de 5,36%, à frente de Banco Inter, com 4,13% e de CSN, com 4,10%. No lado oposto, Iguatemi cedeu 3,74%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL, FABIANA HOLTZ, CYNTHIA DECLOEDT E MAIARA SANTIAGO

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