Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Bolsa sobe 6,98% em janeiro, melhor resultado mensal desde dezembro de 2020

Dólar terminou cotado a R$ 5,3059, queda de 1,56%, no menor valor desde 22 de setembro; apoiado na forte alta de Nova York, Ibovespa subiu 0,21% no dia

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2022 | 14h32
Atualizado 31 de janeiro de 2022 | 19h36

Bolsa brasileira (B3) encerra janeiro com forte ganho de 6,98%, no melhor resultado mensal desde dezembro de 2020, apesar da oscilação típica do final de mês e de terminar o pregão com ganho modesto de 0,21%, aos 112.143,51 pontos. O resultado desta segunda-feira, 31, veio apoiado no bom desempenho de Nova York, com Nasdaq subindo 3,4%. No câmbio, o dólar voltou a cair ante o real e fechou com queda de 1,56%, a R$ 5,3059, menor valor desde 22 de setembro, em semana marcada por importantes decisões sobre política monetária.

O resultado é visto com alívio, principalmente após o Ibovespa ter fechado 2021 acumulando perda de quase 12%, aos 104,8 mil pontos no último dia de negócios de dezembro. No mês, o índice continuou a atrair fluxo externo para a oferta de descontos em dólar, em meio à correção em Nova York e na maior parte dos principais mercados da Europa e da Ásia, contidos em especial pela reorientação mais 'dura' da política monetária dos Estados Unidos, da qual se espera ao menos quatro aumentos de juros este ano.

Janeiro foi ruim para alguns dos principais mercados: em Nova York, o Dow Jones caiu 3,32%, o S&P 500 recuou 5,26% e o Nasdaq teve queda de 8,98%. Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as principais empresas do mercado europeu, cedeu 3,9%, enquanto Frankfurt recuou 2,60% neste começo de ano. Entre as poucas exceções, a Bolsa de Londres subiu 1,1%. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio cedeu 6,22%.

Na última sessão de janeiro, tendo se mantido descolado de Nova York na semana passada, o Ibovespa parecia que emendaria o segundo ajuste negativo, mas no final do dia, se apoiou no bom desempenho do mercado americano, com o Nasdaq em alta de 3,41%, o S&P 500, de 1,89% e o Dow Jones, de 1,17%. 

O mês foi de recuperação na casa de dois dígitos para ações e setores de peso no índice, como Petrobras, com ON e PN em alta de 14,89% e 13,71% em janeiro, e bancos, com Itaú subindo 21,02% e Bradesco, 18,81%, que acumulavam descontos e costumam estar entre os preferidos do investidor estrangeiro, pela elevada liquidez.

"Em fevereiro, o investidor seguirá calibrando expectativas com o Federal Reserve [Fed, o banco central americano], que já promete a primeira alta de juros em março, sinaliza que mais estão por vir e deixa em aberto o início do movimento de enxugamento de seu balanço em 'dois ou três' encontros do FOMC (o comitê de política monetária do BC americano)", observa em nota a Guide Investimentos. 

Alguns dirigentes do Fed reforçaram a percepção de uma economia robusta e de iminente aperto monetário. Presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse hoje que uma alta de 50 pontos-base nos juros básicos na próxima reunião monetária da instituição, em março, não é seu "cenário preferido". Já a dirigente da distrital de Kansas City, Esther George, afirmou que a postura acomodatícia da autoridade está fora de sincronia com as perspectivas econômicas.

Aqui, o relatório Focus desta semana trouxe, pela manhã, avanço na projeção de inflação do ano, de 5,15% para 5,38%, enquanto a do PIB teve leve aumento, de 0,29% para 0,30%, e a expectativa para a Selic se manteve em 11,75%, aponta a Nova Futura Investimentos.

Parece que o Fed lutará para chegar a um consenso claro sobre quão agressiva será a decolagem de março. As condições econômicas ainda parecem boas este ano, mas o reposicionamento sobre as avaliações e as preocupações com o crescimento provavelmente manterão a volatilidade elevada no curto prazo", diz Edward Moya, analista da Oanda, em Nova York, em nota.

Além da deliberação do Copom, na quarta-feira, o mercado estará atento, a partir de amanhã, ao início da temporada de balanços no Brasil, referentes ao quarto trimestre de 2021. "Em relação ao mesmo período de 2020, o mercado espera uma queda do Lucro por Ação (LPA) das empresas do Ibovespa em 15,1%, pela piora do cenário macroeconômico, comparado com um início consistente de recuperação econômica no final de 2020, e uma queda nos preços das commodities", escrevem em relatório Fernando Ferreira, head de research, Jennie Li, estrategista de ações, e Rebecca Nossig, analista de estratégia de ações da XP Investimentos

Já no exterior, o mercado aguarda pelas decisões de política monetária do velho continente na quinta-feira. Enquanto o mercado espera que o Banco da Inglaterra (BoE) suba a taxa básica de juros pelo segundo encontro consecutivo, o Banco Central Europeu (BCE) ainda está distante de tomar medida semelhante, apesar da escalada inflacionária. 

Câmbio

Enquanto o Ibovespa acumulou recuperação de cerca de 7% no mês, a moeda americana iniciou o ano mais comportada, acumulando queda de 4,84% em janeiro frente ao real, maior tombo mensal desde novembro de 2020. Foi também o terceiro mês consecutivo de perdas para a divisa, que caiu 1,06% em dezembro e 0,19% em novembro. Tirando uma breve instabilidade na primeira hora de negócios, a moeda operou em queda firme ao longo de todo o dia e na mínima do dia, era cotada a R$ 5,2850, queda de 1,95%.

Lá fora, o índice DXY - que mede a variação do dólar frente a uma cesta de seis dias fortes - trabalhou em queda firme, abaixo dos 97,000 pontos, devolvendo parte dos fortes ganhos da semana passada, quando absorveu a perspectiva de normalização mais rápida da política monetária americana. O recuo da inflação ao consumidor na Alemanha, que cedeu para 4,9% em janeiro na comparação anual, além da alta de 0,3% do PIB da zona do euro no quarto trimestre, ajudaram a dar fôlego ao euro ante o dólar.

Afora as questões técnicas e o tombo da moeda americana no exterior, operadores voltaram a relatar fluxo de recursos estrangeiros para ativos locais como um dos propulsores do real, que teve um dos melhores desempenhos entre as divisas emergentes. Além dos preços dos ativos locais estarem em níveis atraentes e da alta recentes das commodities, a moeda brasileira teria como grande trunfo a perspectiva de juro real elevado, na esteira do aperto monetário em andamento. 

"A grande questão continua sendo se esse fluxo será resiliente ou não, pois há elevado risco político e eleitoral pela frente, cenário de recessão no front doméstico, além do Fed muito mais agressivo do que se imaginava pouquíssimo tempo atrás", afirma a economista chefe da Armor Capital, Andrea Damico. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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