Amanda Perobelli/ Reuters
Amanda Perobelli/ Reuters

Bolsa sobe 2,04% e retoma os 100 mil pontos; dólar recua 1,42%, a R$ 5,35

Ibovespa subiu nesta quinta-feira, 7, acompanhando o exterior positivo

Luís Eduardo Leal e Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2022 | 14h06
Atualizado 07 de julho de 2022 | 18h54

São Paulo - Sem muitas novidades na agenda do dia, o Ibovespa navegou a retomada do apetite por risco desde o exterior nesta quinta-feira, 7, com os mercados ainda digerindo os sinais emitidos ontem à tarde pela ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve. Sem menções do Fed a risco de recessão iminente, os investidores buscaram descontos em ações, tanto aqui como nos Estados Unidos e na Europa. Nesta sexta-feira, 8, a atenção se volta à nova leitura sobre a economia americana em junho, com a divulgação de dados sobre o mercado de trabalho como a geração de vagas, a taxa de desemprego e a evolução do ganho salarial médio. No Brasil, será conhecido o IPCA de junho.

Nesta véspera de dados importantes, o Ibovespa não apenas conseguiu retomar o nível de 100 mil pontos pela primeira vez desde o 

fechamento do último dia 28, como também encontrou fôlego, no meio da tarde, para chegar aos 101 mil, nas máximas da sessão. Perto do fim, moderou o avanço do dia a 2,04%, a 100.729,72 pontos, entre mínima de 98.721,51, da abertura, e máxima de 101.420,24, com giro em recuperação, a R$ 29,4 bilhões no fechamento desta quinta-feira. Na semana, o Ibovespa passa a acumular ganho de 1,79%, elevando a retomada do mês a 2,22% - no ano, limita a perda a 3,90%.

"A inflação tem sido a grande preocupação dos mercados desde o início do ano, e o Fed deixou (ontem) em aberto a definição dos juros para a próxima reunião, se um aumento de 50 ou 75 pontos-base. Assim, os mercados reagiram bem à indicação de política monetária mais restritiva para controlar a inflação. Por outro lado, o mercado de títulos americanos tem mostrado inversão ou igualdade entre os juros de 2 e 10 anos, o que assinala, conforme histórico, a possibilidade de recessão", diz Jennie Li, estrategista de ações da XP.

"A depender das métricas utilizadas, alguns analistas já antecipam que os Estados Unidos estejam em recessão, e outros acreditam que esteja entrando. A inflação por lá permanece nos maiores níveis em 40 anos. O ritmo dos mercados deve ser afetado pelo ajuste nas condições de liquidez, com a elevação de juros do Fed. Já há sinais de que a demanda agregada, o ritmo de produção, de atividade, está em desaceleração nos Estados Unidos", observa Davi Lelis, economista e sócio da Valor Investimentos.

Ainda assim, com a busca por descontos, o desempenho isolado desta quinta-feira levou, durante a sessão, papéis de maior liquidez a zerar as perdas da semana e a pontuar no mês, embora o ritmo da recuperação não tenha se sustentado linearmente ao fim para ações como as de Petrobras, Vale, Itaú, Bradesco, CSN e Gerdau, entre outras.

Na ponta do Ibovespa na sessão, destaque para Yduqs (+10,51%), CVC (+10,32%) e de MRV (+6,42%). Do lado negativo, apenas oito ações, tendo JBS (-1,22%), Marfrig (-1,12%) e Suzano (-0,69%) à frente.

Dólar

Após cinco pregões consecutivos de alta, em que acumulou valorização superior a 4% e chegou a romper o teto de R$ 5,40 no 

fechamento, o dólar encerrou a sessão de hoje em queda de 1,42%, cotado a R$ 5,3451, tendo descido até R$ 5,3310 na mínima da sessão, pela manhã. Apesar do tombo nesta quinta-feira, o dólar ainda apresenta alta na semana (0,45%) e sobe mais de 2% no mês.

O desafogo no mercado doméstico foi atribuído ao apetite por ativos de risco no exterior, com alta das bolsas em Nova York e recuperação relevante de preços de commodities agrícolas e metálicas. Notícias de novos estímulos à economia na China e uma leitura benigna da ata do Federal Reserve, que não mencionou a palavra recessão, teriam arrefecido, por ora, temores de uma desaceleração mais aguda da atividade global.

Por aqui, as atenções seguem voltadas à tramitação da PEC dos Benefícios (outrora PEC dos Combustíveis e também apelidada de PEC Kamikaze) na Câmara dos Deputados. Operadores não descartam a possibilidade de nova rodada de depreciação do real, mas ressaltam que boa parte do risco fiscal ensejado pela medida parece já ter sido incorporado à formação da taxa de câmbio.

O texto-base do relator da PEC, deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), foi aprovado em Comissão Especial da Câmara à tarde, com rejeição de destaques, e vai ser apreciado no plenário da Casa ainda nesta quinta-feira. Nas mesas de operação, comenta-se que a ausência de modificações na Câmara, com eventual inclusão de novos gastos, já é uma boa notícia.

"A preocupação com a PEC dos Benefícios não conseguiu abalar os ativos brasileiros hoje", afirma a economista Bruna Centeno, da Blue 3, que vê a recuperação do apetite ao risco muito ligado à recepção do mercado à ata do Banco Central americano ontem. "O Fed reforçou o comprometimento com o combate à inflação e admitiu que a alta de juros tem impactos na atividade, mas não usou a palavra recessão. Até disse que, após a queda no primeiro trimestre, o PIB mostra recuperação no segundo."

Petróleo

O temor de recessão também fez o preço do petróleo recuar no mercado internacional, com dúvidas sobre a demanda futura. O petróleo WTI para agosto fechou em queda de 0,97% (-US$ 0,97), em US$ 98,53 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para setembro caiu 2,02% (-US$ 2,08), a US$ 100,69 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

A força do dólar também colaborou para pressionar o petróleo, que neste caso fica mais caro para os detentores de outras moedas. Além disso, a perda de fôlego econômica global influencia as perspectivas para a demanda. Segundo a High Frequency Economics, a forte queda recente nos preços reflete temores de uma recessão por parte de operadores. O banco Julius Baer, por sua vez, afirma que o sentimento pode continuar a pressionar os contratos. Para esse banco, qualquer deterioração inesperada na economia "irá apenas acelerar o movimento para baixo" do óleo. O Julius Baer afirma que há mais risco de baixa para os preços, no quadro atual.

Em linha similar, o Swissquote Bank afirma que a marca de US$ 100 o barril do Brent é um ponto de resistência para o contrato - ele chegou a perder esse piso em parte do pregão. Segundo o banco, o sentimento no mercado mudou de um foco para riscos na oferta a um de "potencialmente pouca demanda". A notícia de que Xangai voltava a fazer testes contra a covid-19 também estava no radar, segundo o Swissquote.

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