Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Melhora do quadro sanitário chinês traz alívio para a Bolsa, mas inflação preocupa e fortalece dólar

Ibovespa teve forte alta ancorada na valorização do petróleo e do minério de ferro; inflação nas economias globais fortalecem perspectiva de alta de juros

Bárbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2022 | 18h15

Com uma das grandes pressões que têm assombrado a Bolsa brasileira suavizada nesta quarta-feira, 11, o “risco China”, o Ibovespa encontrou espaço para recuperar parte das perdas dos últimos dias. Ancorado sobretudo num avanço forte das commodities, que respondem a um alívio do investidor com dados melhores dos casos de covid no país asiático, o índice brasileiro escalou de volta aos 104 mil pontos e teve alta sólida, a primeira desde a última quarta-feira.

O Ibovespa terminou o dia em alta de 1,25%, aos 104.396,90 pontos. Com isso, reduziu a queda na semana a 0,70% e, no ano, a 0,41%. Os 11 primeiros dias do mês de maio, contudo, ainda acumulam um recuo grande, de 3,23%.

Com petróleo e minério em dia forte, a Bolsa brasileira foi favorecida por avanços robustos sobretudo de duas das principais empresas listadas, Petrobras e Vale. O barril do Brent subiu 4,93% em Londres e o minério saltou 4,92% no porto de Qingdao, na China. Isso garantiu um avanço de 5,04% nas ações ordinárias da Petrobras e de 4,17% nos papéis da Vale. 

Uma recuperação sólida das siderúrgicas, após a queda de terça, e do setor financeiro também ajudaram a sustentar o índice no positivo. Depois de terem visto os papéis derreterem com a notícia de que o governo estudava redução do imposto de importação sobre o aço, o setor respondeu bem ao anúncio de fato da medida. A redução, na verdade, se aplica apenas a vergalhões para a construção civil, uma redução de 10,8% para 4%. 

A medida também abrange uma série de alimentos, incluindo carne de boi, de frango e trigo, numa tentativa do governo de diminuir a pressão sobre a inflação. O IBGE divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, uma alta de 1,06%, levando os preços em 12 meses ao nível mais alto desde outubro de 2003. 

Enquanto isso, tanto o dólar quanto as bolsas em Wall Street ficaram voláteis, divididos entre a valorização das matérias-primas e as preocupações com a resiliência global de preços. A moeda dos EUA operou em queda ante rivais durante uma parte considerável do dia, mas acabou em leve ante o real, com avanço 0,21%, a R$ 5,1446.

Ainda que tenha sido colocado de lado pelos investidores de ações, o dado de inflação acima de 1% e surpresa no índice de preços nos Estados Unidos, com o CPI subindo 0,3%, indicam que o segundo fator de pressão que tem derrubado a Bolsa nos últimos dias - o aperto global da política monetária - deve voltar a assombrar nos próximos dias.

Os ativos de risco têm tido performance negativa globalmente nos últimos dias diante da perspectiva de que a inflação persistente deixe os juros mais altos no mundo todo - mais destacadamente nos Estados Unidos. Além de prejudicarem o crescimento global, os juros mais altos tiram atratividade de ativos com mais risco e, ainda mais intensamente, de Bolsas emergentes.

"O cenário não é inspirador para a Bolsa, por conta de taxa de juros subindo tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Mas nossa bolsa tem um lado positivo, é recheada de commodities. O que faz com que o Ibovespa esteja avançando mais do que as outras no mundo", aponta João Abdouni, analista da Inv. Lá fora, os principais índices americanos terminaram o dia em queda, com Dow Jones e S&P500 caindo 1,01% e 1,64%. 

Os principais índices acionários de Wall Street se apegaram mais ao CPI do país, ainda mais depois que o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou que irá apoiar mais altas de juros básicos se os preços não caírem nos EUA./ COLABOROU ANTONIO PEREZ

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