Amanda Perobelli/Reuters - 28/10/2021
Amanda Perobelli/Reuters - 28/10/2021

Dólar sobe 4% e Bolsa cai 2,86%, em meio à turbulência política interna e temores com a inflação

Mercado tem dia negativo após a concessão do indulto ao deputado Daniel Silveira e a secretária do Tesouro dos EUA falar em inflação mais duradoura

Redação , O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2022 | 12h13
Atualizado 22 de abril de 2022 | 19h05

A volta do feriado de Tiradentes no País foi de intenso mau humor no mercado financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) caiu 2,86% nesta sexta-feira, 22, para 111.077 pontos, enquanto o dólar disparou 4%, cotado a R$ 4,80. O movimento foi semelhante no resto do mundo, com quedas generalizadas no mercado acionário.

Não faltaram notícias para aumentar a aversão ao risco. No mercado externo, o principal vetor para a queda das Bolsas foi o discurso mais duro de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), indicando aumento dos juros já na reunião de maio. As preocupações foram reforçadas pela fala da secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, admitindo que a inflação “seguirá conosco por mais um tempo”.

Com o recrudescimento inflacionário no mundo todo, a expectativa é de que o movimento dos EUA na política monetária seja apenas o início de uma onda global de alta dos juros. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que é grande a chance de a zona do euro elevar os juros em 2022.

Neste cenário, o Dow Jones caiu 2,82; a Nasdaq, 2,55%; e o S&P 500, 2,77%. Na Europa, o índice Cac, de Paris, recuou 1,87%; o Dax, da Alemanha, 2,48%; e o FTSE 100, de Londres, 1,39%. 

No mercado interno, as pressões vieram tanto do campo político como do econômico. O embate do presidente Jair Bolsonaro com o Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao deputado Daniel Silveira ajudou a pressionar o câmbio diante dos riscos institucionais. Bolsonaro concedeu indulto ao deputado Daniel Silveira após a condenação no STF. 

Outro motivo de preocupação foi a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender por 20 dias o julgamento da segunda etapa da privatização da Eletrobras. Com a decisão, o processo só deve voltar à pauta no dia 11, o que torna inviável os planos do governo de fazer a operação de venda até 13 de maio. /RENÉE PEREIRA e PAULA DIAS

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