Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Dólar cai a R$ 4,66 e fecha em baixa de 1,97%, o menor valor em dois anos

Entrada de fluxo estrangeiro derrubou o câmbio e ajudou o Ibovespa a manter a trajetória de alta; Bolsa fechou em alta de 1,31%, acima dos 121 mil pontos

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2022 | 13h48
Atualizado 01 de abril de 2022 | 18h14

O dólar fechou na menor cotação em dois anos. Em queda desde a abertura dos negócios e na contramão do exterior, a moeda americana acelerou as perdas ao longo da tarde, em meio à divulgação de resultado forte da balança comerciale fechou abaixo de R$ 4,70 pela primeira vez desde 10 de março de 2020.

Profissionais do mercado atribuem o alívio do câmbio à entrada de investidores estrangeiros e a vendas de exportadores no contexto de alta da Selic e perspectivas de aumento de commodities, com a continuidade dos ataques da Rússia à Ucrânia. 

Embalado por sinais de entrada de fluxo de capital externo, o Ibovespa começou abril com valorização e rompendo a marca dos 121 mil pontos, patamar visto pela última vez há oito meses. Desde a manhã, a referência da B3 manteve o sinal positivo apesar da cautela em Nova York (que, ao final, virou e fechou em alta) e também no petróleo, em meio à liberação de reservas estratégicas para conter a escalada da commodity

A Agência Internacional de Energia (AIE) informou em comunicado que houve um acordo entre seus 31 membros para uma nova liberação de reservas de petróleo, "em resposta à turbulência no mercado causada pela invasão russa da Ucrânia". A entidade diz que detalhes sobre essa liberação serão tornados públicos apenas no início da próxima semana.

O dólar fechou em queda de 1,97%, cotado a R$ 4,6673, o menor valor desde 10 de março de 2020. O Ibovespa subiu 1,31%, aos 121.570,15 pontos.

A grande espera do dia - o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, o payroll - mostrou criação de 431 mil vagas de trabalho no terceiro mês do ano, ante projeção de analistas de 490 mil. A taxa de desemprego, por sua vez, caiu a 3,6% em março (previsão 3,7%).

Os dados provocaram leituras mistas. "O payroll mais fraco que o esperado corrobora a ideia de um Fed menos agressivo, o que dá espaço para os mercados continuarem respirando [avançando]", avalia Victor Miranda, sócio da One Investimentos.

"Complicado encontrar uma interpretação [única] para o payroll. O mercado de trabalho dos Estados Unidos está gerando emprego, mas abaixo do esperado. Provavelmente, o país está com dificuldade em encontrar pessoas para preencher essas vagas. Isso coloca o investidor um pouco com o pé atrás, tanto que as Bolsas americanas perderam fôlego. No entanto, o Ibovespa segue descolado. Juros ainda seguem altos aqui e é difícil, por ora, pensar em um dólar subindo. Ibovespa segue a todo vapor por causa do fluxo", diz o estrategista-chefe da Levante Ideias de Investimentos, Rafael Bevilaqcua.

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