Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Dólar encerra sessão negociado a R$ 4,65, em queda de 1,02%

A entrada de capital estrangeiro e a expectativa de juros mais altos no Brasil impactaram a cotação da moeda norte-americana

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2022 | 12h49

dólar encerrou a sessão desta segunda-feira, 18, em queda firme no mercado doméstico de câmbio, de 1,02%, cotado a R$ 4,65, embora a moeda norte-americana tenha ficado com o sinal predominante de alta no exterior, tanto em relação a divisas fortes quanto emergentes. Segundo operadores, o real teria se beneficiado nesta segunda-feira, 18, pela entrada de recursos de exportadores, em meio à alta das commodities metálicas e agrícolas.

Outro fator que pode ter beneficiado o real contra o dólar foi a desmontagem de posições cambiais defensivas no mercado futuro, diante da expectativa de que o Banco Central vai ter de prolongar o aperto monetário para além da reunião do Copom em maio, na qual já está contratada uma elevação da Selic em 1 ponto porcentual, para 12,75%.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, acenou na semana passada com a possibilidade de estender o ciclo de elevação da taxa básica ao dizer que "houve surpresa no último IPCA". Em participação hoje à tarde em evento sobre moedas digitais promovido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Campos Neto não falou de política monetária.

Nas mesas de operação, a avaliação é a de que uma Selic ainda maior mantém um diferencial de juros muito atraente mesmo que o Federal Reserve (o banco central norte-americano) acelere o ritmo de alta de juros nos EUA em maio, com elevação da taxa básica em 50 pontos-base.

Em relação aos pares do real, o dólar subiu em elação ao rand sul-africano e ao peso chileno, mas apresentou leve queda ante o peso mexicano. Com a queda de 1,02% nesta segunda, o dólar acumula uma desvalorização de 2,37% em abril.

"Essa expectativa de que o Banco Central estique o ciclo de aperto tem contribuído para a melhora do dólar por aqui", diz a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest. "Contudo, o quadro fiscal segue no radar, com o reajuste dos servidores. O mercado está em alerta com a possibilidade de novos aumentos até as eleições, que acabam prejudicando as contas públicas. Isso pode gerar pressões sobre o dólar."

Bolsa

Ibovespa, índice de referência da B3 fechou em baixa de 0,43%, a 115.687,25 pontos, nesta segunda-feira, 13, em seu menor nível de encerramento desde o último dia 18 de março. O giro financeiro foi de R$ 21,8 bilhões, com muitos mercados na Europa ainda fechados nesta segunda-feira pelo feriado de Páscoa.

Em Nova York, os três índices de referência fecharam em leve viés negativo, com perdas entre 0,02% (S&P 500) e 0,14% (Nasdaq). No acumulado de abril, o Ibovespa tem perdas de 3,59%, mas ainda tem valorização de 10,36% no ano.

Nesta sessão, investidores ficaram de olho em uma nova leitura em alta para a inflação, desta vez pelo IGP-10, e de ganho para os preços do petróleo, com o Brent negociado perto de US$ 115 por barril na máxima do dia. Além disso, a cautela do mercado foi reforçada pela queda de braço entre governo e funcionalismo federal - parte do qual está em greve - em meio à insatisfação com o reajuste linear, de 5%, proposto a todos pelo Planalto.

A pressão colocada por categorias do funcionalismo, como policiais federais, auditores da Receita e servidores do BC, para obter vantagens em ano eleitoral recoloca na mesa temores sobre a evolução das contas públicas, um receio que havia segurado o Ibovespa especialmente no segundo semestre do ano passado, quando se antecipava que 2022 não escaparia à deterioração fiscal.Na ponta positiva do Ibovespa, o destaque nesta segunda-feira foi para o Banco Inter (+4,42%), a Locaweb (+4,22%) e o Banco do Brasil (+3,69%). Na ponta oposta, ficaram Eneva (-4,24%), Gol (-3,11%) e Suzano (-2,82%).

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