Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Petróleo cai em meio a temores com a demanda chinesa e oferta de reservas

China faz novos lockdowns para conter surtos de covid-19

Letícia Simionato, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2022 | 18h08

O petróleo fechou em baixa nesta segunda-feira, 11, pressionado pela alta do dólar ante rivais fortes e pela crescente preocupação com a possível queda da demanda chinesa diante dos novos lockdowns para conter surtos de covid. Além disso, o mercado monitora a efetividade da liberação das reservas estratégicas.

Em Nova York, o contrato do petróleo WTI para maio fechou queda de 4,04% (US$ 3,97), a US$ 94,29 o barril. Esse é o menor nível desde 25 de fevereiro, um dia após a invasão da Ucrânia pelos russos. 

Enquanto isso, o contrato do petróleo Brent - usado como referência pela Petrobras - para junho caiu 4,18% (US$ 4,30), a US$ 98,48 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, ficando abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde 17 de março.

Xangai, na China, reportou pouco mais de mil casos confirmados e quase 24 mil assintomáticos no domingo. De acordo com Edward Moya, da Oanda, os operadores do setor de energia continuam precificando a queda da demanda pelo óleo, à medida que o surto de covid na China piora."A situação na China provavelmente enfrentará uma resistência crescente, pois bloqueios maciços estão ocorrendo. Os casos de doenças graves permanecem extremamente baixos, mas as mudanças na política de zero-covid não acontecerão por muitos meses", completa.

Do lado da oferta, o Commerzbank destaca que, além da questão da China, algum ceticismo começou a surgir sobre se o efeito de amortecimento de preços, com a liberação maciça de reservas estratégicas, seria de fato duradouro. "Afinal, isso envolveria consumir mais e investir menos. Além disso, os estoques precisariam ser reabastecidos a médio prazo", destaca, em relatório enviado a clientes.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) disse nesta segunda à União Europeia que sanções atuais e futuras à Rússia podem criar um dos piores choques de oferta de petróleo de todos os tempos. Já o chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrell, informou que nenhuma decisão foi tomada pelo bloco sobre as sanções contra petróleo russo, mas que a questão continua a ser avaliada.

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