Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa cai 0,82%, no menor nível desde 20 de maio; dólar sobe a R$ 4,79

Ibovespa teve a segunda sessão seguida de baixa e acumula perdas de 1,05% em junho e ganhos de 5,12% no ano

Luís Eduardo Leal e Bárbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2022 | 19h32

O Ibovespa perdeu a carona do exterior moderadamente positivo na sessão desta segunda-feira, 6, e iniciou a semana em baixa, após ter interrompido na anterior três semanas de ganhos consecutivos. Hoje, em retração pelo segundo dia, a Bolsa cedeu 0,82%, aos 110.185,91 pontos, o menor desde 20 de maio (108.487,88). Bem enfraquecido, o giro financeiro ficou em R$ 17,0 bilhões. Neste início de mês, o Ibovespa acumula perda de 1,05% em junho, avançando 5,12% no ano.

"A semana passada foi muito agitada, com dados relevantes como o PIB, aqui, e o payroll nos Estados Unidos. O descolamento do exterior tem ocorrido já há alguns dias, às vezes com o Ibovespa andando à frente do que se viu lá fora. Então é natural um ajuste, sem grandes novidades na sessão", diz Rodrigo Natali, estrategista-chefe da Inv. "Alguns setores continuam a ter desempenho favorável, como as exportadoras, enquanto as empresas de menor capitalização - as small caps - e as de consumo, com exposição à economia doméstica, continuam a sofrer. Assim, com uns em alta e outros em baixa, o Ibovespa se mantém nesta faixa que temos visto, sem muita força."

"Hoje, o número do Caged veio mais forte do que o esperado, e os dados sobre atividade no País têm vindo em geral acima do que o mercado imaginava no começo do ano. Mas a atuação vista sobre os preços no mercado têm refletido o que se espera para os juros nos Estados Unidos e agora na Europa, em meio à inflação muito alta em 12 meses - por outro lado, há também a reabertura na China, com efeito sobre as commodities. A reunião do Banco Central Europeu (BCE) deve ser relevante nesta semana, com expectativa de que comece a elevar juros na zona do euro em julho, com redução de balanço da instituição a partir do mesmo mês", diz Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group.

Na B3, na ponta do índice nesta segunda-feira, destaque para Raia Drogasil (+2,68%), CSN Mineração (+1,94%), Locaweb (+1,69%) e Embraer (+1,16%). Na ponta oposta, Hapvida (-6,15%), Positivo (-6,13%) e Méliuz (-6,11%).

Dólar

O real tentou avançar sobre o dólar no início do pregão, mas sucumbiu a uma série de incertezas externas e internas e perdeu força ao longo do dia. Assim, a moeda americana terminou a sessão à vista em alta de 0,36%, aos R$ 4,7957.

O câmbio respondeu a um dia de dólar mais fortalecido lá fora, tanto ante moedas fortes quanto frente aos pares do real, com os investidores no aguardo de uma semana cheia de indicadores, com dados de inflação aqui e nos Estados Unidos, além de decisão de juros na Europa. Tanto que o índice DXY - que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes - operou em alta na segunda etapa do pregão, na casa dos 102.400 pontos.

Internamente, pesa a discussão fiscal e política em torno de uma possível solução para a alta nos preços dos combustíveis, com o mercado prevendo um novo subsídio, com custo para as contas públicas. Pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro citou, inclusive, pressões políticas para que ele demita o ministro Paulo Guedes. O chefe da Economia reagiu com um périplo pelo Legislativo, com reuniões com os presidentes do Senado e da Câmara, para tratar do projeto do ICMS dos combustíveis.

"Na ausência de uma notícia positiva que possa contrabalançar o exterior, o dólar sobe pela inércia que acompanha o movimento lá fora, mas também por essas questões fiscais, com a possibilidade de o governo trazer algum tipo de subsídio", aponta Nicholas Farto, especialista em renda variável da Renova Invest.

Lá fora, o dia foi de abertura das taxas das Treasuries, na expectativa de dados importantes essa semana, que colocaram os investidores em compasso de cautela. O mercado aguarda os números de inflação aqui (quinta-feira) e nos Estados Unidos (sexta-feira) e de juros na Europa (quinta-feira).

Considerado atrasado no movimento de alta dos juros, o BCE deve sinalizar o fim do programa de compras de ativos, mas a grande expectativa é sobre os indícios para a elevação nas taxas. Sobretudo após a presidente da autoridade monetária, Christine Lagarde, ter mudado o discurso, passando a defender uma alta nos juros a partir de julho.

"Tem bastante agenda para um câmbio um pouco mais defensivo. E ainda não vimos fluxo maior de estrangeiro. O estrangeiro tem voltado, mas não na velocidade do começo do ano", aponta Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo.

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