Crédito habitacional cresce mais que outras modalidades

O crédito habitacional cresceu 2,6% em janeiro, mais que a média das demais modalidades de financiamento, que foi de 0,7%. É uma tendência que se estabeleceu desde o ano passado, impulsionada pela queda dos juros, aumento do nível de emprego e novas facilidades para o financiamento da casa própria. ?A expectativa é de que a taxa continue a subir?, comentou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, ao divulgar o boletim sobre o mercado de crédito brasileiro em janeiro. Outro sinal de força dos empréstimos habitacionais é o crescimento de 5,5% nos financiamentos com recursos livres. Por lei, o banco é obrigado a direcionar parte de seus recursos para o empréstimo habitacional. Em janeiro, alguns cumpriram esse limite e ainda usaram parte dos recursos ?livres?. Esse montante chegou a R$ 1,278 bilhão, um valor pequeno, segundo Altamir. Mas o número confirma a tendência de crescimento do setor. Também o valor dos empréstimos tomados pelas pessoas físicas aponta na mesma direção. Em janeiro, os financiamentos com valor acima de R$ 50 mil cresceram 3%, enquanto na faixa de até R$ 5 mil o crescimento foi de 0,6%. Para o chefe do Depec, as pessoas estão contratando financiamentos de valor mais elevado para comprar imóveis e automóveis. Para o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o crescimento do crédito habitacional é positivo, mas ainda modesto perto do desempenho que o setor poderia ter. Ele informa que o total de empréstimos habitacionais está hoje em 6% do Produto Interno Bruto (PIB). ?Na Espanha é 50%, então tem muito espaço para crescer ainda.? Ele explicou que o financiamento para a casa própria ?destravou? no Brasil em 2004, quando o governo impulsionou a sua agenda microeconômica. A principal medida para o setor foi o patrimônio de afetação, uma regra pela qual a contabilidade de um prédio em construção é separada das contas da construtora. Foi uma forma de prevenir novos episódios como o da construtora Encol, que quebrou deixando milhares de mutuários com imóveis construídos pela metade. O pacote foi complementado com novos títulos com os quais as construtoras podem captar recursos no mercado. ?Ali, foi dada a espinha dorsal do que temos hoje?, disse Martins. ?Tudo o que veio depois apenas somou.? É o caso, por exemplo, do pacote habitacional lançado em setembro de 2005, que criou novas modalidades, como o financiamento a prestações fixas. Segundo Martins, parte do crescimento que se vê nas estatísticas do BC não se refere a empréstimos realmente novos. Antes de 2004, os financiamentos bancários estavam retraídos e, por isso, muitas construtoras passaram a oferecer elas mesmas os empréstimos. Com a volta dos bancos, elas transferiram suas carteiras para as instituições financeiras.

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