Crédito imobiliário nos EUA preocupa o mercado

O mercado de crédito imobiliário voltado para a população norte-americana com histórico de calote, conhecido como "subprime", é mais um fator que tem reforçado o clima de cautela nas bolsas de valores. Ontem, a New Century Financial Corp. anunciou que teve suas linhas de crédito cortadas no mercado financeiro. A New Century é a segunda maior financiadora de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos a clientes com passado de crédito duvidoso. À frente dela está apenas o banco HSBC. Hoje, a Accredited Home Lenders informou que está em negociação com seus credores - as instituições bancárias que financiam suas operações no mercado subprime - para renegociar suas dívidas. A companhia informou ainda que está em busca de capital para fazer frente à demanda de seus credores que elevaram a margem de exigência para obtenção de recursos, ou seja, do fundo para cobertura de risco de não-pagamento de seus empréstimos. Como outras geradoras de financiamento hipotecário, a New Century depende dos recursos de instituições de Wall Street e de bancos comerciais para repassar a seus clientes. Ontem, porém, a empresa notificou a Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) que todos os bancos que mantinham linhas de empréstimos à companhia suspenderam os financiamentos. A New Century disse ainda que não espera realizar os pagamentos demandados por seus credores, o que poderá levá-la para a Corte de Falências ou até diretamente para uma liquidação. As ações da empresa foram suspensas do pregão de ontem da Bolsa de Nova York. A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou o rating da New Century para CC, de CCC. A nota continua em observação com perspectiva negativa. "A mudança no rating reflete a inabilidade da New Century em continuar a originar novos empréstimos, em conseqüência de sua capacidade severamente comprimida de financiamento", disse o analista de crédito da S&P Adom Rosengarten. Essa situação é, em grande parte, resultado das restrições aos cedentes de empréstimos da companhia no acesso aos financiamentos, afirmou a S&P. Além disso, a agência lembrou que a companhia está diante de uma chamada de margem sobre empréstimos de US$ 150 milhões, a qual cumpriu com apenas US$ 80 milhões. De acordo com a S&P, não há informação disponível relacionada à habilidade da companhia de cumprir com os restantes US$ 70 milhões. "Não está claro como a empresa superará essa situação estressante no que diz respeito à sua reputação e sustentabilidade financeira", observou a agência. Também ontem, o Countrywide Financial, que também atua no setor, informou que o volume de empréstimos subprime realizados em fevereiro caíram, depois de apertar os critérios de empréstimos como resposta ao aumento no número de calotes nesses financiamentos. Histórico Os temores com as empresas especializadas no segmento subprime começaram a surgir com a desaceleração do mercado imobiliário norte-americano. Segundo a revista Economist, quase três dúzias de bancos quebraram ou foram vendidos nos últimos meses por causa de empréstimos não recebidos. A edição do último fim de semana da revista traz uma reportagem que analisa a questão. O jornal The New York Times também publicou reportagem sobre o tema, que termina citando um estudo realizado por dois professores da Drexel University's LeBow College of Business. Segundo eles, "a redução dos recursos para títulos ancorados em hipotecas para residências pode machucar a economia dos EUA". As informações são de agências internacionais.

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