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Crédito imobiliário vai continuar farto em 2012, mas preços devem seguir altos

Para analistas, compra da casa própria por meio de financiamento permanecerá tranquila

Roberta Scrivano, O Estado de S. Paulo

25 de dezembro de 2011 | 22h00

SÃO PAULO - O crédito imobiliário deve continuar tão farto em 2012 quanto foi no decorrer deste ano. O preço dos imóveis, no entanto, ainda tende a demorar um pouco para cair. Mas novas altas não devem ocorrer. Por isso, dizem especialistas, o consumidor terá facilidade em realizar o sonho da casa própria por meio do crédito. Mas adquirir imóveis como investimento, alertam, pode não ser um bom negócio.

Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP) projetam o aumento na concessão do crédito habitacional. Segundo o sindicato, 2011 deve fechar com volume de R$ 117 bilhões em financiamentos desse tipo. Para 2012, a projeção é de R$ 152,1 bilhões em crédito habitacional. A estimativa de crescimento para 2011 representa elevação de 30% em relação a 2010, quando o crédito imobiliário atingiu um montante em torno de R$ 90 bilhões.

"É um salto significativo e explica a evolução e as mudanças do setor da construção", avalia Ana Maria Castelo, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo desenvolvimento do estudo do Sindicato.

Se o crédito está farto, a demanda cresce, o que impulsiona o aumento no preço dos imóveis. Especialistas no assunto, entretanto, acham que não há mais muito espaço para os valores subirem, mesmo se houver aumento na oferta de crédito. "Estamos muito próximos do teto dos preços", avalia Denise Vasconcellos, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A principal origem do crédito neste e no próximo ano continuará sendo o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que deve responder por R$ 81 bilhões em 2011 e pelo menos R$ 107 bilhões em 2012, ainda segundo estimativas do Sinduscon. Os recursos do FGTS devem somar R$ 36 bilhões neste ano e R$ 45 bilhões em 2012.

Oferta. Outro fator que colabora para a alta nos preços é o tamanho da oferta de casas - que, ultimamente, tem sido menor do que a procura. O Sinduscon informa, porém, que o número de lançamentos em 2011 já superou a quantidade lançada em 2010: são 26.365 unidades inauguradas em 2011, contra 25.818 mil do ano passado. Esse é um sinal de que, em algum momento, os preços podem começar a cair. "Isso mostra que a oferta já começa a se recuperar", comenta Ana Maria.

O número de negócios fechados no decorrer deste ano, por sua vez, é menor do que o registrado em 2010. Segundo o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), a quantidade de vendas de casas novas fechadas ao longo deste ano é 40% menor que o número obtido em 2010; no caso de imóveis usados, o número de negócios é 26% menor.

"Os preços continuaram subindo neste ano. O número menor de vendas é um sinal de que os preços estão altos e precisam parar de subir ou novos negócios não serão feitos", afirma José Augusto Viana, presidente do Creci-SP. Para ele, as construtoras foram "afoitas em 2011" ao continuar com as altas nos preços. Agora, porém, "terão de se adequar à realidade ou não conseguirão vender os imóveis".

Investimento. "Como investimento eu não recomendaria imóveis", afirma Fábio Colombo, administrador de investimentos que atua no mercado há mais de 20 anos. "O motivo é simples: os preços estão altíssimos. Não sei se eles cairão, mas subir mais é muito difícil. Portanto, se o intuito é ganhar dinheiro, os imóveis não são um bom negócio", emenda o especialista.

A opinião de Fábio Colombo é endossada por Fábio Braga, diretor da Porto Seguro Consórcio. Ele também considera que os preços estão próximos ao teto, portanto, acha que não há muito espaço para subir. "E é por essa perspectiva de não haver mais altas que não considero os imóveis uma boa para quem quer investir neste momento."

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