Crédito pode não estar sendo bem distribuído, diz Loyola

Para o ex-presidente do Banco Central, o aperto de crédito pode ser maior do que as estatísticas mostram.

Luciana Xavier e Sueli Campo, da Agência Estado,

13 de fevereiro de 2009 | 16h51

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, sócio-diretor da Tendências Consultoria, disse que o mercado de crédito no Brasil pode até ter voltado aos níveis pré-crise, como garante o presidente do BC, Henrique Meirelles, mas que o crédito pode não estar sendo bem distribuído e que pequenas e médias empresas devem ainda estar "sofrendo". "Meirelles não teria dito aquilo se as estatísticas não estivessem mostrando isso. Mas o aperto pode ser maior do que as estatísticas mostram", avaliou.  Ouça a entrevista Meirelles disse recentemente que considerando o mês de setembro como uma base 100, as condições de crédito tiveram uma queda para 92,7 em outubro e retornaram a 101,1 em janeiro. Segundo Meirelles, o estoque de crédito cresceu 6,5% em dezembro ante setembro. O atual presidente do BC disse também que, na mesma base de comparação, os bancos pequenos tiveram um crescimento de 0,6%, os grandes bancos, expansão de 10% e os bancos públicos, de 12,9%. Para Loyola, em termos de liquidez, o ponto mais nevrálgico no Brasil ainda é o crédito para exportação, que vem sofrendo com a crise mundial. "Devemos criar melhores condições de crédito no Brasil", disse ele, que defende a aprovação no Congresso do cadastro positivo para melhorar condições de crédito. O ex-presidente do BC acredita que a tendência para a reunião de março do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) é de continuar com o ritmo de corte de um ponto porcentual da Selic, para 11,75%, na avaliação de Loyola. "Os indicadores de atividades estão fracos, a inflação está em níveis confortáveis e a taxa de juro real está alta. Há espaço para mais cortes", justificou Loyola, que espera que a Selic encerre o ano perto de 10%, 10,25%. Loyola disse que se o Brasil não estiver em recessão está perto disso ou de crescimento do PIB zero. Segundo ele, o 1º e 2º trimestres deste ano serão os mais difíceis e uma melhora pode vir no segundo semestre, com PIB podendo fechar o ano em 1% ou, no máximo, 1,5%. Segundo ele, o Brasil tem a vantagem de não ter tido o choque no sistema financeiro como nos Estados Unidos e Europa e ainda tem espaço para corte de juros, ao contrário das regiões citadas. "O sistema financeiro no Brasil tem base de capital para emprestar. Aqui, há espaço ainda para crescer", disse. EUA Para Loyola, o pacote de resgate dos bancos do governo de Barack Obama, aprovado no dia 10 de fevereiro no Senado, pecou por deixar muitas dúvidas no ar e por isso foi mal recebido pelo mercado, avaliou o sócio-diretor da Tendências Consultoria Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. A grande dúvida, segundo ele, é como serão fixados os preços dos ativos tóxicos que serão retirados dos bancos. "O anúncio não foi feliz pela falta de detalhes e deixou muitas perguntas sem resposta. Essa foi a grande decepção dos agentes econômicos", disse. Segundo Loyola, não é possível fixar o valor dos ativos tóxicos pelo preço de mercado, pois eles não têm preço de mercado. "Teoricamente, não havendo preço de mercado, esses ativos devem ser avaliados por alguns modelos que levam em consideração cenários sobre setores da economia. Mas cenários têm certa dose de subjetividade. Essa é a grande dúvida: qual o preço pelo qual os ativos serão retirados dos bancos? Se for muito alto, a dose de subsídio pode ser muito elevada e os custos para os pagadores de impostos podem ser muito altos. Mas também se for muito baixo, isso pode também agravar a situação", ressaltou. O ex-presidente do BC disse também não ter sido explicado como será o mecanismo de participação privada nos créditos podres. "Isso não está muito claro. Também não está claro como será feito o teste de estresse na carteira dos bancos", disse. O montante do plano de resgate, que pode chegar a US$ 2 trilhões, é citado por Loyola como um ponto positivo, dentro do que se esperava, embora ele mesmo faça a ressalva que ainda não é possível saber se será suficiente. Para Loyola, a lição que será deixada por esta crise diz respeito à necessidade de um sistema bancário mundial mais regulado, com características mais "tradicionais". "Não haverá mais bancos gigantes que trazem riscos sistêmicos", acredita. Crédito  Loyola disse que o mercado de crédito pode até ter voltado aos níveis pré-crise, como garantiu esta semana o presidente do BC, Henrique Meirelles, mas que o crédito pode não estar sendo bem distribuído e que pequenas e médias empresas devem ainda estar "sofrendo". "Meirelles não teria dito aquilo se as estatísticas não estivessem mostrando isso. Mas o aperto pode ser maior do que as estatísticas mostram", avaliou. Meirelles disse, na segunda-feira, que considerando o mês de setembro como uma base 100, as condições de crédito tiveram uma queda para 92,7 em outubro e retornaram a 101,1 em janeiro. Segundo Meirelles, o estoque de crédito cresceu 6,5% em dezembro ante setembro. O atual presidente do BC disse também que, na mesma base de comparação, os bancos pequenos tiveram um crescimento de 0,6%, os grandes bancos, expansão de 10% e os bancos públicos, de 12,9%. Para Loyola, em termos de liquidez, o ponto mais nevrálgico no Brasil ainda é o crédito para exportação, que vem sofrendo com a crise mundial. "Devemos criar melhores condições de crédito no Brasil", disse ele, que defende a aprovação no Congresso do cadastro positivo para melhorar condições de crédito.

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