Cresce o risco de títulos da Turquia e da Argentina

O mercado de títulos da dívida externa de países emergentes abre pressionado hoje, com o risco da maior parte dos países, incluindo o do Brasil, acima do nível de fechamento ontem. Embora os papéis brasileiros estejam em alta, a recuperação não é suficiente para provocar queda na parte brasileira do índice Embi+ em relação ao juro dos títulos do Tesouro norte-americano. A parcela argentina do índice que mede o risco dos emergentes, que ontem chegou a abrir 30 pontos, volta a subir nesta manhã, assim como a da Turquia. Analistas financeiros dizem que a proximidade da reunião do banco central americano (na quinta-feira) amplia o desconforto com a tendência generalizada de alta do juro no mundo e penaliza os países cujos fundamentos econômicos são mais frágeis, como Argentina e Turquia. Ontem, de acordo com um operador, comentou-se que os papéis argentinos estariam sendo vendidos por um fundo de hedge. O risco da Argentina e da Turquia foram os que mais subiram ontem, 14 pontos e 13 pontos, respectivamente. O risco brasileiro acompanhou o dos emergentes, subindo quatro pontos. Hoje às 9h30, o risco da Argentina apresentava alta de 12 pontos, para 424 pontos; e o da Turquia abria dois pontos, para 324 pontos, de acordo com a assessoria de imprensa do banco J.P. Morgan, responsável pelo índice Embi+ (esse índice mede o grau de confiança dos investidores). O risco da Argentina já subiu 35 pontos nesta manhã, atingindo a máxima a 447 pontos (411 pontos na mínima). O risco da Turquia avançou 16 pontos quando chegou a 338 pontos na máxima (mínima de 316 pontos). O índice Embi+ emergentes operava estável no mesmo horário, a 232 pontos, enquanto o risco brasileiro subia três pontos, para 264 pontos. As especulações de eventual aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa de juro norte-americana já na reunião desta semana continuam, embora o consenso seja para alta de apenas 0,25 ponto porcentual. Na Europa, autoridades do Banco Central Europeu (BCE) comentam que as taxas de juro na zona do euro podem ser elevadas com maior agressividade e em ritmo mais acelerado. O membro do Conselho de Governadores do BCE, Nicholas Garganas, disse não descartar a hipótese de aumento de mais de 0,25 ponto percentual do juro europeu, informou a agência Dow Jones. Também a situação na Turquia ajuda a prejudicar o andamento do mercado. O banco central subiu, no domingo passado, a taxa de juro de referência em 2,25 pontos porcentuais, para atender à pressão do mercado, que não se satisfez com a elevação de 1,75 ponto porcentual promovida em 7 de junho. O BC turco anunciou também que realizará leilões de títulos do governo e intervirá no câmbio regularmente para controlar a liquidez. Na sexta-feira, quando o BC se viu obrigado a convocar encontro extraordinário para o domingo, a lira turca operava a 1,76 por dólar. Nesta manhã, caía a 1,65 por dólar, de 1,672 por dólar na sessão de ontem. Mas a Bolsa de Istambul cedia, com investidores especulando que as elevações nas taxas de juro poderão prejudicar o crescimento do país.

Agencia Estado,

27 de junho de 2006 | 10h02

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