Criação de emprego nos EUA impulsiona dólar ante real

Anúncio veio acima da previsão de 160 mil e deu fôlego ao dólar ante moedas com forte correlação a commodities

Silvana Rocha, da Agência Estado,

03 de julho de 2013 | 10h01

O mercado de câmbio doméstico abriu nesta quarta-feira, 03, com o dólar em alta, alinhado com a valorização da moeda norte-americana no exterior. Nos Estados Unidos, o anúncio sobre a criação de 188 mil empregos em junho no setor privado, acima da previsão de 160 mil, deu fôlego aos ganhos do dólar ante o euro e a moedas com forte correlação a commodities, como o real brasileiro.

Esse dado eleva a expectativa pelos números oficiais do mercado de trabalho, que saem na sexta-feira, 05, após o feriado norte-americano do Dia da Independência na quinta-feira. A pesquisa divulgada nesta quarta pela Automatic Data Processing/Macroeconomic Advisers (ADP/MA) é considerada um indicador sobre a tendência do relatório mensal sobre o mercado de trabalho do governo dos EUA (payroll), que engloba também dados do setor público.

No mercado à vista, às 9h42, o dólar estava em alta, a R$ 2,2680 (+0,84%), após oscilar de R$ 2,2610 (+0,53%) a R$ 2,2710 (+0,98%). A taxa de abertura foi a R$ 2,2650 (+0,71%).

No mercado futuro, no mesmo horário, o dólar para agosto de 2013 subia a R$ 2,280 (+0,48%). Depois de abrir a R$ 2,2780 (+0,40%), esse vencimento da moeda norte-americana oscilou de R$ 2,2745 (+0,24%) a R$ 2,2845 (+0,68%).

Os níveis de preço do dólar perto de R$ 2,270 no mercado à vista e de R$ 2,280 no mercado futuro (contrato de agosto) deixam os investidores em alerta para um eventual novo leilão do Banco Central. O gerente de câmbio de uma corretora defendeu que o BC deveria testar um leilão de venda à vista porque em sua opinião o mercado anda ávido por dólar em espécie. Para esse especialista, o receio com o clima político doméstico, a ameaça de revisão de rating do País e o crescimento fraco incomodam muito os agentes financeiros a ponto de neutralizar o apelo dos juros altos para atrair novos investidores ao País. "Todas as medidas para atrair investimentos são anuladas pela piora de percepção sobre o Brasil", avaliou.

No entanto, para um operador de tesouraria de um grande banco nacional não há demanda aparente por dólar à vista, mas sim interesse pela compra de moeda para proteção (hedge) cambial. Por isso, segundo essa fonte, o BC tem se concentrado na oferta de moeda no mercado futuro, através de leilões de swap cambial. Este operador lembrou que, na tarde da última sexta-feira, 28, o BC fez uma consulta ao mercado para avaliar se havia demanda por empréstimo de linha em dólar com compromisso de recompra futura. Porém, aparentemente não há essa demanda, porque o BC não atua desde segunda-feira, comentou.

Há muita expectativa pelos dados de fluxo cambial de junho e no acumulado do primeiro semestre, que serão divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central às 12h30.

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