Crise aumenta tentação com medidas protecionistas, diz Mantega

Para o ministro, o aumento do IPI para veículos não é uma medida com esse objetivo

Luciana Antonello Xavier,

22 de setembro de 2011 | 16h05

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nessa quinta-feira, 22, que o Brasil esteja tomando medidas protecionistas e disse que os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) continuarão trabalhando para evitar que isso ocorra.

Para o ministro, o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos não é uma medida que vai no sentido contrário. "Não, não é uma medida protecionista. É uma medida que estimula investimentos locais em tecnologia", disse o ministro em meio a risos e comentários de dezenas de jornalistas presentes durante entrevista coletiva após reunião dos Brics.

Pouco antes, Mantega havia dito que é preciso evitar cair na tentação do protecionismo. "Sempre que a economia mundial entra em crise temos depreciação dos mercados e aumenta a tentação do protecionismo. Devemos combater e temos combatido isso. Deveremos continuar defendendo a liberdade de comércio para evitar o protecionismo", disse.

E acrescentou: "Entre os Brics, estamos combinando que devemos intensificar o comércio, portanto eliminar eventuais barreiras comerciais entre nós", completou.

Alta do dólar

Mantega voltou a tratar como normal a forte desvalorização do real ante o dólar e das demais moedas emergentes. A moeda norte-americana chegou a ser vendida nessa quinta-feira a R$ 1,9530.

"A desvalorização das moedas em relação ao dólar é movimento normal de aversão a risco. O risco subiu bastante na opinião dos mercados. Vejo como um movimento normal, não chegou ainda à desvalorização de 2008", afirmou. Ontem, o ministro disse que se piorar o governo vai ter que "rever tudo" caso haja uma desvalorização muito grande da moeda brasileira.

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