Crise do BES deve influenciar abertura de NY

As bolsas dos Estados Unidos devem abrir o pregão de hoje em baixa, sinalizam os índices futuros. A aversão ao risco é forte nesta manhã em Wall Street em meio a preocupações com a saúde financeira do maior banco de Portugal e dados mais fracos da indústria na França e Itália. Às 10h22 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones perdia 1,05%, o Nasdaq recuava 1,24% e o S&P 500 cedia 1,04%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agência Estado

10 de julho de 2014 | 10h44

Operadores em Wall Street destacam dois pontos sobre o Banco Espírito Santo (BES) que fazem a pressão vendedora de ações aumentar nas bolsas norte-americanas. Primeiro, foi o atraso de pagamentos de cupons de dívida do Espírito Santo International. Depois foi a suspensão hoje pelo regulador do mercado de capital de Portugal das negociações das ações do BES e do Espírito Santo Financial Group (ESFG), que tem fatia importante do capital do banco.

Os problemas no BES podem afetar toda a economia de Portugal e levantam dúvidas sobre a solidez do sistema financeiro do país, destacam os analistas da Schaeffer''s Investment Research. Além do mercado doméstico, o analista do The Lindsey Group, Peter Boockvar, destaca em uma nota a clientes que o banco, por conta do efeito sistêmico, pode contaminar todo o sistema financeiro europeu. Nesse cenário de maior pessimismo, dados divulgados mais cedo mostraram uma inesperada queda da produção industrial na Itália e na França em maio. Para complicar, as exportações na China cresceram menos que o previsto.

Nos EUA, depois da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não trazer novas pistas sobre juros, a expectativa é ver o que os dirigentes do banco vão comentar hoje sobre o assunto e, nesta quinta-feira, o vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, fala pela primeira vez em público desde que entrou na instituição.

A apresentação de Fischer, que será às 17h30 (de Brasília), é o evento mais esperado do dia. Ele vai comentar sobre reformas do setor financeiro, mas a expectativa é que faça algum comentário sobre política monetária, ou na parte de perguntas e respostas ou após o evento em eventual entrevista à imprensa.

Além de Fischer, a responsável pela sucursal de Kansas City do Fed, Esther George, conhecida por ser voto dissidente nas reuniões do ano passado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), mas que não tem direito a voto este ano, fala em um evento às 14h15 (de Brasília).

Entre os indicadores, os pedidos de auxílio-desemprego caíram para 304 mil na semana encerrada em 5 de julho. A previsão dos economistas era de que ficassem em 319 mil. Os EUA têm criado novos postos de trabalho no ritmo mais rápido desde a crise financeira mundial e as demissões estão caindo, por isso, os pedidos de auxílio-desemprego seguem próximos aos menores níveis desde 2007. A nova queda dos pedidos hoje, porém, pouco repercutiu para aliviar o nervosismo dos investidores nesta manhã.

No mundo corporativo, a IBM anunciou hoje investimentos de US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos em pesquisa e desenvolvimento para a próxima geração de processadores de computador. No pré-mercado, o papel recuava 1,15%.

Operadores alertam que as ações de bancos norte-americanos devem ser monitoradas de perto hoje em Nova York, por conta da queda de seus pares na Europa e as preocupações com o BES. No pré-mercado, o Morgan Stanley perdia 1,84%, o Citibank recuava 1,58% e o Goldman Sachs cedia 1,23%.

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