Crise do grupo Espírito Santo derruba ações da PT

Sob forte pressão nos últimos dias, as ações da Portugal Telecom (PT) fecharam hoje em queda de 5,53% na Bolsa de Lisboa. A desvalorização ocorre em meio à crise gerada pelo investimento de 897 milhões de euros (R$ 2,7 bilhões) da operadora em papel comercial da Rioforte, holding em dificuldade financeira do Grupo Espírito Santo (GES), que, por sua vez, é dono de 10,05% da PT.

MARIANA SALLOWICZ E MARIANA DURÃO, Agência Estado

09 de julho de 2014 | 21h05

A Oi, empresa brasileira que está em processo de fusão com a operadora de Portugal, pediu esclarecimentos sobre o negócio e declarou no último dia 2 não ter sido informada nem participado das decisões que levaram às aplicações.

De acordo com o jornal português "Expresso", a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador do mercado de capitais de Portugal, abriu um processo para investigar formalmente o negócio. Procurada pelo Estado, a CMVM até agora não se posicionou sobre eventuais reclamações de acionistas insatisfeitos com a transação ou a abertura de uma investigação. A PT disse que "não pode comentar o que desconhece".

Segundo o "Expresso", a xerife do mercado português quer esclarecer se houve descumprimento de regras em um investimento entre partes relacionadas. Além do GES controlar 10,05% da PT, a operadora portuguesa possui 2,1% do Banco Espírito Santo (BES). A instituição financeira é citada pela Portugal Telecom nos esclarecimentos do negócio, informando que a subscrição do papel comercial considera a "boa experiência de 14 anos em aplicações de tesouraria no BES e em entidades do GES".

O jornal informa ainda que o órgão regulador não confirma se abriu o inquérito e que ainda não há queixas formalizadas, mas há investidores que podem entrar com processos se no próximo dia 15 a Rioforte não fizer o pagamento. Na data, vence a maior parte da aplicação (847 milhões de euros) e, dois dias depois, os demais 50 milhões de euros.

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