Crise política faz risco país disparar 7%

Diversos motivos azedaram o humor do mercado financeiro ontem. Além das preocupações com a economia americana, com o golpe de Estado na Tailândia e com a turbulência institucional na Hungria, a crise política brasileira acendeu o sinal de alerta dos investidores. O risco país disparou 7,02% e atingiu 244 pontos. O dólar subiu 1,47%, para R$ 2,209, o maior nível desde 14 de julho. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 1,04%. O cenário instável desencadeado pela suposta tentativa de compra de um dossiê contra o candidato tucano ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, vinha sendo praticamente ignorado pelo mercado financeiro até ontem. Mas a evolução das investigações deixou analistas e investidores preocupados. Segundo Flávio Serrano, economista da corretora López León, a grande preocupação não é de curto prazo. Está relacionada a um eventual segundo mandato de Lula. Como até o momento o presidente é o candidato mais forte, o mercado está preocupado com problemas de governabilidade num eventual segundo mandato do petista. Reformas Na avaliação da economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, "o escândalo tende a dificultar o estabelecimento de acordos entre PT e oposição na aprovação de uma pesada agenda de reformas prevista para a próxima administração". O economista para América Latina do banco Dresdner Kleinwort, Nuno Camara, tem a mesma percepção. Segundo ele, dependendo dos futuros índices de aprovação popular do presidente Lula, a oposição "poderá usar a ameaça de impeachment" até 2010. "Por isso, o barulho político deverá continuar elevado nos próximos anos", disse. "A cada dia que passa, a perspectiva de reformas se torna mais limitada", avaliou. Para Flavia Cattan-Naslausky, analista do Royal Bank of Scotland, o recente escândalo afastará ainda mais o PSDB de qualquer coalizão partidária, enfraquecendo a perspectiva de uma agenda de reformas. A expectativa do mercado financeiro é de que a turbulência continue nos próximos dias. A tensão pode aumentar hoje com a preocupação dos analistas quanto a novas notícias no fim de semana. Ações em queda No mercado acionário, o movimento negativo foi verificado em quase todos os países emergentes ontem, afirmaram especialistas. O índice IPC, do México, caiu 1,57% e o Merval, da Argentina, recuou 0,75%. "O cenário externo estava pouco amigável e o mercado financeiro refletiu isso", afirmou o economista-chefe da Gap Asset Management, Alexandre Maia. Segundo ele, as preocupações com a economia americana, que já eram grandes, foram intensificadas com a divulgação do índice de atividade industrial regional do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Filadélfia - até então pouco analisado pelo mercado. O indicador despencou de 18,5 em agosto para -0,4 em setembro, muito abaixo da previsão dos economistas (15,0). Foi o suficiente para reacender o temor em relação a uma desaceleração da economia americana e, conseqüentemente, da economia mundial, acima do desejado. O número negativo derrubou as bolsas americanas e elevou o preço dos títulos de dez anos (os treasuries). A Nasdaq caiu 0,67%; o índice Dow Jones, 0,69%; e o Standard & Poor's 500 (que inclui as maiores empresas do país), teve queda de 0,54%. (Colaborou João Caminoto)

Agencia Estado,

22 de setembro de 2006 | 08h25

Tudo o que sabemos sobre:
finanças

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.