Crise política nos EUA persiste e ainda afeta bolsas da Ásia

Impasse em relação a um acordo entre governo de Barack Obama e o Congresso entra na terceira semana sem uma solução

14 de outubro de 2013 | 05h53

As bolsas asiáticas fecharam em queda, pressionadas pela falta de resolução no impasse fiscal dos EUA. No entanto, em um dia em que as bolsas de Hong Kong e de Tóquio estiveram fechadas para negociações, o mercado chinês destoou do mercado e encerrou o pregão em alta, apoiada em uma sinalização positiva da inflação de setembro.

Sem um acordo entre democratas e republicanos, o governo norte-americano já se prepara para entrar na terceira semana de paralisação. Durante o fim de semana, as negociações entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e os republicanos da Câmara dos Representantes não surtiram efeito, frustrando as expectativas do mercado, que no fim da última semana se animou com o anúncio do encontro. Com isso, o foco se volta para as conversas entre líderes do Senado.

O Tesouro norte-americano já alertou que em 17 de outubro as medidas extraordinárias utilizadas para que os EUA continuem pagando suas dívidas chegarão ao fim. Dessa forma, a maioria dos mercados asiáticos reagiu com uma postura cautelosa. "Acredito que a maioria das pessoas está esperando para comprar", disse o analista da CMC Markets, Desmond Chuá.

O índice S&P/ASX 200, da Bolsa da Austrália, encerrou o dia com perdas de 0,4%, para 5.207,9 pontos. Da mesma forma, o Taiwan Weighted recuou 0,9% e caiu para 8.273,96 pontos. O índice PSEi, das Filipinas, fechou em baixa de 0,7%, aos 6.442,70 pontos, e na Coreia do Sul o índice Kospi recuou 0,2%, para 2.020,27 pontos.

Além do impasse nos EUA, as negociações na Austrália foram pressionada por dados fracos de exportação da China, seu principal parceiro comercial, e pelos feriados em mercados vizinhos, levando a um volume negociado no dia bem abaixo da média diária. Os investidores também aguardaram pelas minutas da última reunião do Banco da Reserva da Austrália (RBA, na sigla em inglês), que serão publicadas amanhã.

Em Taiwan, as preocupações com os EUA aumentam os temores com as exportações do país, assim como a valorização da moeda local pode prejudicar as vendas para o exterior. O mercado também está cauteloso com a votação de uma moção de confiança contra o governo, que será votada amanhã.

O mercado chinês foi na contramão das bolsas asiáticas, influenciado por uma série de indicadores publicados desde o fim de semana. O índice Xangai Composto subiu 0,4%, para 2.237,77 pontos, e atingiu o nível mais alto desde 12 de setembro. O índice Shenzhen Composto avançou 0,9%, para 1.097,06 pontos.

O destaque ficou por conta da alta de 3,1% na inflação de setembro, na comparação anualizada. A taxa foi maior que os 2,6% de agosto e que os 2,9% projetados pelo mercado e foi vista como um bom sinal da economia. "Enquanto a inflação ao consumidor está acelerando, o número não é forte o suficiente para levar o governo a lançar um imediato aperto monetário. Para os investidores, o relatório de inflação é mais um catalisador positivo, já que o número maior que o esperado indica que a economia chinesa continua a se recuperar", disse Zhang Gang, analista da Central China Securities.

Ações de empresas relacionadas ao consumo saltaram nas negociações. Os papéis da Shandong Denghai avançaram no limite diário de 10%, assim como os da Xinjiang Talimu Agriculture, enquanto os da Heilongjiang Agriculture fecharam com ganhos de 4,6%.

No sábado, o governo também reportou uma queda de 0,3% nas exportações de setembro e uma alta de 7,4% nas importações, enquanto economistas esperavam alta de 5,5% nas exportações e elevação de 6,75% nas importações. Fonte: Dow Jones Newswires.

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