CSN enfrenta a Tata em leilão para comprar a Corus

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que hoje ocupa a 50ª posição no ranking mundial, pode entrar em poucas horas num seleto grupo de produtores de aço no qual estão grandes empresas como a européia Arcelor Mittal, a japonesa Nippon Steel ou a sul-coreana Posco. Caso consiga vencer a indiana Tata Steel no leilão para a compra da anglo-holandesa Corus, a CSN se tornará o 5º maior grupo siderúrgico do mundo, com produção anual de 23 milhões de toneladas de aço. A CSN superaria em 10 milhões de toneladas a produção da maior siderúrgica brasileira, a Gerdau.Segundo um executivo de uma das maiores siderúrgicas do mundo, o negócio é a última grande chance de siderúrgicas médias se tornarem gigantes. ?Esta parece ser a última alternativa para se tornar um grande competidor da noite para o dia?, disse. Segundo ele, não existem mais ativos siderúrgicos baratos e esta é uma condição para o processo de consolidação do setor.Ontem, as autoridades que regulam as aquisições na União Européia deram o sinal verde para que a CSN participe do leilão. O duelo começa às 14h30 (horário de Brasília), quando a CSN, controlada pelo empresário Benjamin Steinbruch, e a Tata começam a entregar os envelopes fechados com os lances pela Corus. O resultado é imprevisível, mas ontem os investidores arriscaram um último palpite e as ações da CSN subiram 1,45%, enquanto o índice Bovespa caiu 1,89%.Lance finalA proposta mais recente pela Corus foi feita pela CSN. Pelos ativos da Corus, a CSN aceitou pagar 5,15 libras esterlinas por ação ou US$ 9,6 bilhões (R$ 20,5 bilhões). Como a Tata demonstra condições de bancar a oferta, o leilão - que será realizado em até nove rodadas - tem tudo para elevar ainda mais essa cifra.Até o final das oito primeiras rodadas, o valor pode chegar a 5,60 libras por ação, mas há estimativas que o preço pode chegar a 600 pence por ação, ou US$ 11 bilhões. Pelas regras do leilão, cada rodada só ocorre se o competidor oferecer um preço 5 pence superior à melhor proposta da rodada anterior. Isso significa que a Corus pode ficar pelo menos US$ 92 milhões mais cara a cada rodada.?O grande lance deverá ser o nono, o derradeiro. É quando as empresas terão de fazer a oferta definitiva para vencer a concorrente?, diz Rodrigo Ferraz, analista de siderurgia do Banco Brascan.Caso a oferta alcance US$ 11 bilhões, o valor do negócio já terá estourado os limites considerados razoáveis pelos analistas. O endividamento somado ao valor de mercado superaria 7 vezes a geração de caixa da Corus. ?A média entre as siderúrgicas é de 5,6 vezes?, diz Ferraz.Avaliações semelhantes estão em relatórios da corretora Itaú e do banco Merrill Lynch. Todos acham que, pelo nível de endividamento, serão grandes as exigências de desempenho financeiro da Corus após do leilão. A CSN diz ter uma estratégia para enfrentar o endividamento. A margem operacional (calculada com a divisão do lucro operacional pela receita líquida) da Corus teria de subir muito. Hoje é de apenas 9%, uma das piores do setor. Só como comparação, a margem operacional da CSN é de 37%.O trunfo da CSN é a mina Casa de Pedra. A empresa poderá entregar minério de ferro a preços baixos. Assim, a mina no Brasil ajudaria a melhorar a geração de caixa da Corus na Europa. Isso daria condições de enfrentar o endividamento. Além disso, a compra da Corus ajudaria a CSN a driblar um acordo em vigor com a Vale do Rio Doce, a partir do qual a mineradora tem preferência na compra de minério excedente produzido em Casa de Pedra.Com a Corus, a CSN aumentaria o próprio consumo, logo não precisaria entregar à Vale o minério. Na semana passada, um diretor da Vale chegou a dizer que a empresa poderia questionar a venda de minério da Casa de Pedra para a Corus. Vale e CSN se tornaram inimigas depois do descruzamento das ações e principalmente quando a siderúrgica decidiu lançar um plano de US$ 1,5 bilhão para elevar a produção da Casa de Pedra e se tornar uma grande exportadora de minério. A Corus tem um contrato de compra de minério com a Vale por dez anos.

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