CSN pode se tornar a 5ª maior do mundo

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), hoje a 50ª no ranking mundial, pode se tornar esta semana a maior produtora de aço do País e o 5º maior grupo siderúrgico do mundo, com capacidade de produção de 23 milhões de toneladas de aço bruto. Tudo isso se conseguir dar o maior lance pela siderúrgica anglo-holandesa Corus. Amanhã, segundo regras do órgão de controle de fusões e aquisições do Reino Unido, a companhia brasileira terá de enfrentar até nove rodadas de um leilão imprevisível, com uma concorrente de igual peso, a indiana Tata Steel, hoje a 53ª produtora mundial de aço.A CSN entra na disputa com um lance de US$ 9,64 bilhões, equivalente a R$ 20,5 bilhões, mas nada indica que o valor final desta aquisição possa ficar nessa cifra. Analistas brasileiros e de outros países, apesar de considerarem o valor alto, acreditam que a Tata demonstra disposição para elevar a oferta. As propostas e contrapropostas começaram em 17 de novembro do ano passado, quando a CSN entrou oficialmente na disputa pela Corus.A primeira oferta superou em US$ 500 milhões a proposta da concorrente, dando novo patamar para a disputa: US$ 8,1 bilhões. No dia 10 de dezembro, a companhia indiana elevou a oferta para US$ 9,2 bilhões, cifra coberta no dia seguinte com um lance de US$ 9,6 bilhões da CSN. Com as regras do duelo definidas na sexta-feira pela agência reguladora do Reino Unido, as duas empresas poderão fazer ofertas por até nove rodadas. A cada round as propostas não poderão aumentar menos do que cinco centavos de libra por ação da Corus. Uma elevação inferior encerra a disputa. Isso poderá se repetir oito vezes, caso ambas tenham disposição de manter os lances.A nona rodada, caso seja alcançada, terá uma regra diferente. As empresas podem fazer uma oferta final ou dizer qual o preço máximo que podem pagar pelos ativos. Segundo a agência reguladora, as ofertas começam a ser recebidas às 18h30 (horário de Brasília) de amanhã. Caso o processo não seja concluído até as 4h30 da quarta-feira, o leilão será retomado às 18h30 do mesmo dia. Há a possibilidade de se conhecer o vencedor da disputa apenas na quarta-feira.Casa de PedraO trunfo da CSN para entrar nesta disputa é a mina Casa de Pedra, localizada em Congonhas (MG). A companhia acredita que poderá usar o minério de ferro para dar um grande impulso econômico à Corus. Para produzir 18 milhões de toneladas de aço por ano, a siderúrgica européia consome por ano 25 milhões de toneladas de minério. A siderúrgica brasileira tem um plano para elevar até 2010 a produção de 16 milhões para 53 milhões de toneladas por ano em Casa de Pedra, uma reserva estimada em 8,6 bilhões de toneladas.A CSN promete dar à Corus minério de ferro de alta qualidade ?a baixo custo? e volumes crescentes de aço semi-acabado produzido no Brasil para beneficiamento nas unidades de laminação da companhia na Europa. Só com a venda do minério de ferro a companhia brasileira estima em US$ 450 milhões o aumento do fluxo de caixa da Corus.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.