CVM absolve diretores da Cyrela

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) absolveu por três votos a um os dirigentes da Cyrela que foram acusados em processo administrativo de terem negociado ações da empresa antes da divulgação de informação relevante de que tinham conhecimento ao mercado. Antes, a CVM tinha rejeitado duas propostas dos administradores da Cyrela para firmar termos de compromisso para extinguir o processo. Pela última proposta rejeitada, em dezembro, a CVM receberia R$ 1 milhão.

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2010 | 18h17

 

De acordo com o diretor da CVM Marcos Pinto, a proposta de termo de compromisso de R$ 1 milhão, feita em dezembro, foi negada porque naquela ocasião o diretor Eli Loria, que originalmente era o relator, já tinha dado um voto pela condenação e o julgamento tinha sido suspenso por pedido de vistas de Marcos Pinto. Para ele, o pedido de acordo "quando o acusado já sabe um pedaço do que está acontecendo, não é uma situação que se queira estimular".

 

O mérito, porém, ainda não tinha sido julgado em dezembro, a não ser pelo voto de Loria. Com o exame do mérito e novo relatório sobre o caso apresentado hoje, desta vez feito por Marcos Pinto e pela absolvição, a presidente Maria Helena Santana e o diretor Otávio Yazbek desempataram inocentando os dirigentes da Cyrela.

 

Os administradores da empresa tinham conhecimento de "Instrumento Particular de Outorga de Opção de compra de Ações e Outras Avenças" entre a Cyrela Commercial Properties Empreendimentos e Participações (CCP) e subsidiárias da Cyrela Brazil Realty, de 30 de maio de 2007, mas divulgaram o primeiro fato relevante sobre isso em 29 de junho daquele ano e, nesse meio tempo, administradores da Cyrela negociaram ações da companhia.

 

No entanto, segundo Marcos Pinto, essa operação fazia parte da cisão no grupo que tinha sido informada ao mercado em março e "o mercado antecipou a operação", sem que houvesse variação significativa dos preços das ações no período investigado.

 

Ele comentou que a operação de venda de ações a que se refere o fato relevante de 30 de maio era mesmo para ser objeto de fato relevante, mas até agosto daquele ano, não houve separação das ações, fato também enfatizado por Maria Helena Santana. "Quando anunciaram, as ações entre as companhias ainda estavam sendo negociadas em conjunto e qualquer transferência de

patrimônio entre elas não teria efeito para o investidor", disse Pinto.

 

Também houve negociação de ações da Cyrela por parte de dirigentes da empresa entre 24 de junho de 2007, quando foi publicada notícia na imprensa de que a companhia estava em início de entendimentos para eventual compra da empresa alagoana Cipesa, e 6 de julho daquele ano, quando foi publicado o fato relevante sobre o assunto. Pinto observou que o negócio

com a Cipesa não chegou a ser concretizado e que a empresa é pequena, "eram oito terrenos, não era realmente um fato relevante", afirmou.

 

Os acusados, agora absolvidos, eram o diretor de Relações com Investidores da Cyrela, Luis Largman; o diretor-presidente e presidente do Conselho de Administração da companhia, Elie Horn; e os diretores Ariel Shammah e George Zausner.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
açõesbolsaCVMconstrução, Cyrela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.