CVM apura alta brusca das ações da Ipiranga

Antes mesmo de ser anunciada oficialmente, a venda do grupo Ipiranga para a Petrobras, Ultra e Braskem já entrou na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O presidente da autarquia, Marcelo Trindade, revelou que a área técnica do órgão solicitou explicações à Ipiranga sobre a alta acima do padrão das ações da companhia na última sexta-feira, dia 16. A CVM acionou ainda a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para obter informações sobre quem operou com os papéis do grupo Ipiranga naquela data. Normalmente com pouca liquidez no mercado, as ações da Ipiranga tiveram um volume de negócios considerado acima do normal e ainda subiram 3,57% em um dia em que o Índice da Bovespa, principal termômetro da bolsa paulista, registrou queda de 1,27%. O presidente da CVM esclareceu que a intenção da Superintendência de Acompanhamento de Mercado do órgão é investigar se houve algum vazamento de informações que explique a forte alta. No mercado financeiro, o súbito interesse pelos papéis da empresa alimentou ainda mais os rumores de que o negócio havia sido fechado. O caso do Grupo Ipiranga é mais um na longa lista de suspeitas de vazamento de informações no mercado financeiro nos últimos meses. A maior parte das suspeitas envolve operações de fusões e aquisições de empresas, como o caso da proposta de compra da Sadia pela concorrente Perdigão. A investigação do episódio foi concluída nos EUA, com a condenação de executivos da Sadia, mas no Brasil ainda está em andamento. A expectativa é de que a Ipiranga responda ao questionamento da CVM sobre a movimentação atípica antes da abertura da Bovespa hoje. A Ipiranga é controlada por cinco grupos familiares. A perspectiva de um desfecho para a venda do Grupo Ipiranga traz uma dúvida aos investidores: se as empresas vão continuar sendo negociadas na Bovespa. Atualmente, o conglomerado tem quatro companhias listadas no pregão paulista: uma holding, uma refinaria, uma petroquímica e uma distribuidora. Com a operação, os novos possíveis compradores (Petrobras, Ultra e Braskem) podem optar por fechar o capital das empresas adquiridas, que hoje têm pouquíssima liquidez na Bovespa. Em contrapartida, a Petrobras é o papel mais negociado. As ações do Ultra e Braskem também registram volumes consideráveis de negócios. Analistas lembram que manter uma subsidiária com o capital aberto aumenta os custos operacionais. Enquanto representantes dos três grupos compradores darão detalhes sobre o negócio hoje pela manhã, em São Paulo, o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, marcou entrevista coletiva para as 14 horas, no Rio. Ele vai falar em nome de sua família, uma das acionistas do grupo Ipiranga. Gouvêa Vieira foi procurado no domingo, mas assessores informaram que ele estava em reunião e que não poderia atender a reportagem.

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