CVM e Bovespa sugerem cautela no uso de recursos do FGTS em ações

Os presidentes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade, e da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Raymundo Magliano, afirmaram que é preciso ter cautela com o uso de recursos do FGTS no mercado acionário. Segundo eles, um aumento muito rápido no fluxo de investimentos para a bolsa de valores pode causar distorções no setor. Magliano lembra que todas as emissões de ações no ano passado somaram R$ 33 bilhões e que outros R$ 20 bilhões podem chegar ao mercado com a proposta do governo de utilizar recursos do FGTS em ações e em um fundo para infra-estrutura. "Nossa preocupação é com um fluxo de magnitude. O que pode gerar excesso de demanda", diz. A posição é compartilhada por Trindade. Segundo ele, o mercado de capitais brasileiro vem batendo recordes, mesmo sem nenhum incentivo fiscal. Magliano lembrou o caso do fundo 157, criado em 1967, e que utilizava incentivos fiscais para atrair investidores. Segundo ele, na época, várias empresas lançaram ações sem ter comprometimento com o mercado de capitais, o que resultou em perdas para a imagem do mercado. Mas, segundo ele, a situação hoje é bem diferente daquela época. O mundo está mais globalizado, os órgãos reguladores, mais atuantes, e o investidor, mais informado. Magliano acredita que o uso do FGTS pode ajudar na democratização do mercado de capitais brasileiro e contribuir para formar poupança interna.

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