CVM investigará altas taxas de administração de fundos

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigará as altas taxas de administração cobradas pelos fundos de investimento de varejo, afirmou hoje o presidente da autarquia, Marcelo Trindade. O custo elevado das aplicações para os pequenos investidores foi constatado em pesquisa da CVM com os portfólios brasileiros, realizada em 2005 e divulgada hoje. ?Vamos investigar para saber o motivo de os custos serem bem mais altos para o pequeno cliente do que para os grandes. A partir das justificativas, poderemos discutir alternativas para o investidor de varejo?, disse. Segundo ele, devido ao resultado da pesquisa, a autarquia já começou a entrar em contato com os administradores para obter explicações sobre as taxas. No ano passado, os fundos de investimento receberam, a título de taxa de administração, R$ 7,8 bilhões. Desse montante, R$ 4,8 bilhões foram pagos pelas carteiras de varejo. Assim, os portfólios de pequenos investidores, que correspondem a 40% do patrimônio da indústria, pagaram 61,5% da remuneração recebida pelos administradores no País. De acordo com a pesquisa, chamada ?Panorama da Indústria Brasileira de Fundos de Investimento?, tal desproporção se dá também dentro da própria categoria varejo, o que significa dizer que os portfólios voltados aos investidores com maior capacidade financeira cobram uma taxa de administração menor do que os destinados a investidores de menor poder aquisitivo. ?Percebemos que é o pequeno investidor que, no fundo, paga a conta da indústria?, disse Trindade. Para o presidente da CVM, os dados indicam que o grande aplicador tem poder de barganha e pode trocar de instituição financeira caso a taxa não o agrade, por isso, consegue custos menores. Segundo Trindade, contra essa desigualdade de tratamento entre pequeno e grande investidor, a CVM pode até adotar alguns limites, como exigir que, em carteiras de mesma composição, as taxas possam variar até um certo porcentual. ?Mas acho que isso não será necessário, pois o mercado deverá se ajustar sozinho e aos poucos a essa realidade?, complementou. Outra constatação do estudo realizado pela CVM é a alta concentração da indústria de fundos. De acordo com os dados de dezembro de 2005, os dez maiores administradores em número de fundos eram responsáveis por 62% dos portfólios do mercado. Os dez maiores em patrimônio líquido respondiam por 76% da indústria. No mesmo sentido, os dez maiores gestores em número de cotistas atendiam a 91% de todos os investidores do mercado. Para o presidente da CVM, a concentração é positiva de um lado e negativa de outro. ?É boa porque os importantes agentes têm uma grande exposição de imagem e, portanto, o risco de fazerem coisa errada é menor?, explicou. ?Por outro lado, a concentração causa um impacto negativo no custo para os investidores, que poderia ser menor?, complementou. De acordo com o estudo, no final do ano passado a CVM registrava 5.646 fundos de investimento, com patrimônio líquido de R$ 1,19 trilhão. Nesse valor há uma dupla contagem à medida que quase metade dos fundos aplica em outros fundos. Excluindo-se os 2.741 fundos de cotas, o patrimônio da indústria atingia, no fim de 2005, R$ 751,5 bilhões. Em patrimônio, a classe dos fundos de renda fixa é a mais importante na indústria nacional, com 51% de participação, desconsiderando-se os fundos de cotas. As carteiras exclusivas, por sua vez, têm participação minoritária, com apenas 28% mercado. A pesquisa mostra ainda que a participação dos fundos para investidores qualificados é importante: mais de 52% do patrimônio líquido da indústria (ou 48% quando considerados também os fundos de cotas) refere-se a esse público. Os resultados preliminares da pesquisa ?Panorama da Indústria Brasileira de Fundos de Investimento? podem ser encontrados no site da CVM, na seção ?publicações e artigos?. A mesma foi divulgada nesta manhã durante seminário sobre o assunto, realizado em São Paulo, como início das comemorações dos 30 anos da autarquia.

Agencia Estado,

25 de maio de 2006 | 15h48

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