CVM vai investigar altas taxas de administração no varejo

Não são apenas investidores que acreditam que as taxas de administração cobradas pelos fundos de investimento no Brasil, que atingem até 5% ao ano, são elevadas. O assunto será investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o presidente da autarquia, Marcelo Trindade, o custo elevado para os pequenos investidores foi constatado em pesquisa realizada pela própria CVM. ?Vamos investigar para saber o motivo de os custos serem bem mais altos para o pequeno cliente do que para os grandes. A partir das justificativas poderemos discutir alternativas para o investidor de varejo?, disse. Segundo ele, devido ao resultado da pesquisa, a autarquia já começou a entrar em contato com os administradores para obter explicações sobre as taxas. No ano passado, os fundos de investimento receberam, a título de taxa de administração, R$ 7,8 bilhões. Desse montante, R$ 4,8 bilhões foram pagos pelas carteiras de varejo. Assim, os portfólios de pequenos investidores, que correspondem a 40% do patrimônio da indústria, pagaram 61,5% da remuneração recebida pelos administradores no País. De acordo com a pesquisa, chamada ?Panorama da Indústria Brasileira de Fundos de Investimento?, tal desproporção se dá também dentro da própria categoria varejo, o que significa dizer que os portfólios voltados aos investidores com maior capacidade financeira cobram uma taxa de administração menor do que os destinados a investidores de menor poder aquisitivo. ?Percebemos que é o pequeno investidor que, no fundo, paga a conta da indústria?, disse Trindade. Para o presidente da CVM, os dados indicam que o grande aplicador tem poder de barganha e pode trocar de instituição financeira caso a taxa não o agrade, por isso, consegue custos menores. Segundo Trindade, contra essa desigualdade de tratamento entre pequeno e grande investidor, a CVM pode até adotar alguns limites, como exigir que, em carteiras de mesma composição, as taxas possam variar até um certo porcentual. ?Mas acho que isso não será necessário, pois o mercado deverá se ajustar sozinho e aos poucos a essa realidade?, complementou. (Resumo de reportagem divulgada pelo AE Empresas e Setores, serviço da Agência Estado de informação e análise do mercado de capitais, de setores da economia, de empresas de capital aberto e de fundos de investimento)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.