Dado do IBGE anima e juro futuro abre em baixa

O mercado de juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) abriu hoje em baixa. Às 10h23, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2008 - tradicionalmente o mais negociado - tinha taxa de 12,09% ao ano, ante 12,14% ao ano de ontem; o DI para janeiro de 2009 projetava taxa de 12,02% ao ano. No dia anterior, este mesmo DI encerrou a 12,12% ao ano. O resultado da produção industrial divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) seria um argumento perfeito para as apostas do mercado na aceleração do ritmo de corte de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), não fosse a volatilidade recente no mercado internacional. O IBGE mostrou queda de 0,3% na produção industrial em janeiro na comparação com dezembro e expansão de 4,5% ante janeiro de 2006. Além disso, chama a atenção o forte crescimento da produção de bens de capital, de 1,7% em janeiro na comparação com dezembro, e de 18% em relação a janeiro de 2006. Ou seja, os investimentos em produção têm crescido a um ritmo mais forte. Operadores dizem que, diante da trégua que se verifica no exterior, o dado do IBGE pode até estimular uma "corridinha" pré-Copom. E reforçar a aplicação nos juros, especialmente nos de curto prazo. Mas, dificilmente, os números alterarão a aposta consensual, de que o corte da Selic, na reunião que começa hoje e termina amanhã, será de 0,25 ponto. "O Copom não pode desprezar a volatilidade externa, ainda que ele não admita isso nas atas", afirma um operador. "Cortar o juro em 0,5 ponto amanhã significaria indicar uma nova tendência para a política monetária, o que seria muito arriscado em um momento como este", diz outro analista. Profissionais concordam que o resultado da produção industrial só confirma a análise de que não há nenhum argumento nos fundamentos da economia doméstica contrário a um corte de meio ponto. O ritmo de produção mais lento e sinais de investimento produtivo, aliados à inflação em baixa, formam a equação perfeita para mais queda de juros. Mas, as incertezas no exterior, que colocam em questão também a continuidade do fluxo de recursos que alimentou a melhora do cenário local, devem reforçar o viés conservador do Banco Central (BC). "Acho praticamente impossível o BC mudar o passo neste momento de fragilidade externa", afirma um analista.

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