Dados da conta corrente reforçam aposta em real forte

Um real forte. Essa é a principal conclusão de analistas de bancos estrangeiros tirada dos números da conta corrente do Brasil de fevereiro, divulgados esta sexta-feira pelo Banco Central. O economista sênior do Dresdner Kleinwort, Nuno Câmara, alterou a sua previsão para a cotação da moeda brasileira diante do dólar para o final deste ano de R$ 2,10 para R$ 2,05. Ele observou que, apesar do superávit em conta corrente ter sido de US$ 593 milhões, abaixo da estimativa média do mercado de US$ 700 milhões, o ponto fundamental do relatório das contas externas, segundo o analista, foram os fluxos de capitais, que atingiram US$ 8,8 bilhões, mesmo com os investimentos diretos estrangeiros ficando um pouco abaixo do esperado, em US$ 1,4 bilhão. "No geral, os fluxos de moeda estrangeira continuam fortalecendo o real", disse Câmara. "Acreditamos que esses fluxos para o país vão continuar fortes, levando a uma maior acumulação de reservas pelo BC, que devem atingir US$ 150 bilhões no terceiro trimestre deste ano." As reservas internacionais estão atualmente em US$ 107,5 bilhões. O economista do Goldman Sachs Paulo Leme reafirmou sua previsão de que a moeda brasileira vai continuar se valorizando, atingindo a cotação de R$ 2 diante do dólar nos próximos doze meses. "Apesar de o superávit em conta corrente e os fluxos de investimento direto estrangeiro terem ficado abaixo do que havíamos projetado, isso foi mais do que compensado pelos muito mais elevados fluxos de capitais", disse Leme. "Por causa disso, o BC deve continuar acumulando reservas no num ritmo forte".

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