Dados dos EUA agitam a semana

As últimas duas semanas foram marcadas por fatores que dissiparam um pouco as tensões em torno da economia norte-americana - os discursos do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, e o dado relativo ao crescimento do país no segundo trimestre (prévia do PIB), que veio abaixo do esperado. Mas analistas avisam: o alívio definitivo só virá, na melhor das hipóteses, depois da próxima reunião do Fed, em 8 de agosto. "A grande questão é saber se o ciclo de alta da taxa básica de juros parou nos atuais 5,25% ao ano ou se ainda haverá uma elevação de 0,25 ponto porcentual", disse uma analista. Nesta semana, a agenda de eventos e divulgação de indicadores é considerada fraca no Brasil. A exceção é o dado relativo à produção industrial de junho, que será anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. "Os investidores estarão atentos ao número para tentar decifrar a tendência para a taxa de juros aqui no Brasil", disse o economista-sênior da corretora López León, Flavio Serrano. "Daqui por diante, dois fatores serão preponderantes para definir o rumo da Selic: a atividade econômica e a inflação." Por falar em inflação, nesta semana serão divulgados os dois primeiros índices de preços relativos ao mês de julho: o IPC-S, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e o IPC, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ambos na terça-feira. A expectativa de Serrano é de que o primeiro registre variação de 0,05% e o segundo, de 0,25%. Nos Estados Unidos, a agenda é considerada mais pesada, com destaque para os dados de emprego de julho, que saem na sexta-feira. Além da taxa de desemprego, o "pacote" de informações inclui o chamado payroll, que em português significa algo como variação dos custos com folha de pagamento. A evolução dos salários é um item fundamental para a autoridade monetária definir o rumo da taxa básica de juros. Outro indicador importante é o PCE, deflator dos gastos pessoais nos Estados Unidos (terça-feira). "O Fed olha mais para esse número do que para o índice de preços (CPI, na sigla em inglês) ao consumidor, daí sua importância", disse Serrano. De acordo com o economista, a tendência é de que o dólar oscile entre R$ 2,15 e R$ 2,20 nas próximas semanas. Os investidores que operam no mercado de juros ficarão de olho nos dados de inflação e na produção industrial. A Bovespa deve continuar colada aos índices das bolsas americanas.

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